Preconceito Linguístico

Enviada em 01/04/2021

No filme “Que horas ela volta?”, a empregada doméstica, Val, se muda para São Paulo e sofre preconceito dos patrões pelo seu sotaque nordestino. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que o Brasil é um país extenso e que soma diversas culturas locais que influenciam no léxico. Esse preconceito ocorre tanto pela falta de debate desse tema quanto pela mudança contínua da Língua Portuguesa em cada cidade ou região.

Sob esse viés, é notório que apesar da língua ser um meio de comunicação entre os indivíduos, ela pode acabar sendo usada erroneamente, sendo uma das ferramentas de segregação social. Torna-se evidente, portanto, a ineficácia dos colégios, em relação a normalização da variação linguística, seja ela no contexto etário, regional ou social. Segundo o professor, linguista e escritor Marcos Bagno, a língua é algo vivo em constante processo de evolução. “O português deve ser ensinado da mesma forma que se ensina física ou biologia. Os professores sabem que muito do que eles dizem hoje pode ser reformulado ou negado amanhã”. Nesse sentido, é importante considerar que os responsáveis pela constante mudança da Língua Portuguesa são os próprios falantes, independente do nível de escolaridade ou classe social.

Além disso, muitos ainda tem a ideia, de que, se for diferente do que pessoa está acostumada a ouvir, é porque está errado, e isso faz com que muitos se sintam superior aqueles que tem um vocabulário ou sotaque diferente. Diante disso, percebe-se que por se tratar de uma problemática pouco discutida, esse preconceito acentua ainda mais a desigualdade social no país, visto que está totalmente ligado aos valores da sociedade, e os falantes da norma culta são os que apresentam maior grau de escolaridade. Concomitantemente, no pré-modernismo, era comum ver os autores usando dialéticas dos outros estados para fazer seus poemas, Guimarães Rosa pode ser considerado um forte exemplo, já que o autor fez parte da terceira geração do modernismo e é considerado um dos maiores escritores de todos os tempos, por reinventar a língua portuguesa, transceder os limites da prosa regionalista e pela sua originalidade.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir os impactos do preconceito linguístico. Os colégios devem promover a abordagem profunda sobre o tema nas aulas de gramática, ensinando todas as variantes, devem ser feitos projetos com influenciadores digitais contra esteriótipos impostos pela mídia, a fim de que os estudantes já saibam desde cedo, que nem todo diferente é errado. Somente assim, é possível a normalização da variação lisguística e a diminuição dos índices de preconceito línguistico.