Preconceito Linguístico

Enviada em 14/04/2021

Preconceito linguístico

A língua, como um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No Brasil, o preconceito linguístico é algo notório, por conta de sua imensa extensão territorial é necessário entender que existem diversas variantes na língua e que nenhuma deve ser mais prestigiada do que as outras.

Primeiramente, é válido destacar que, apesar de que o povo brasileiro seja falante do Português, existem diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico, ou seja, a língua está em constante transformação, e quem a transforma são os próprios falantes, independente de sua classe social ou nível de escolaridade. Desta maneira, não se deve ignorar a gramática normativa, já que ela serve de base para o idioma, mas sim admitir que todas as variações compõem a língua.

Um grande contribuinte para esta categoria de preconceito são os estereótipos gerados pelas mídias. Sobre esse assunto, o escritor Marcos Bagno afirma em sua obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz” (1999) “É um verdadeiro acinte aos direitos humanos, por exemplo, o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas de televisão, principalmente da Rede Globo. Todo personagem de origem nordestina é, sem exceção, um tipo grotesco, rústico, atrasado, criado para provocar o riso, o escárnio e o deboche dos demais personagens e do espectador. No plano linguístico, atores não nordestinos expressam-se num arremedo de língua que não é falada em lugar nenhum do Brasil, muito menos no Nordeste. Costumo dizer que aquela deve ser a língua do Nordeste de Marte! Entretanto, nós sabemos muito bem que essa atitude representa uma forma de marginalização e exclusão. Se o Nordeste é “atrasado”, “pobre”, “subdesenvolvido” ou “pitoresco”, então, “naturalmente”, as pessoas que lá nasceram e a língua que elas falam também devem ser consideradas assim…”

É evidente que o fato de existir uma variante padrão faz com que as demais sejam desprestigiadas, gerando o preconceito linguístico e acentuando ainda mais a desigualdade, onde um grupo é posto como superior em relação às minorias já que o idioma está ligado aos valores da sociedade, sendo assim, comumente um falante da norma padrão deve ter um nível de escolaridade mais alto.

Desta maneira, fica claro que a língua é um fator decisivo na exclusão social, por isso, o preconceito linguístico deve ser admitido e combatido. Primeiramente, as escolas, tanto da rede pública quanto privada, deveriam abordar este tema, mostrando nas aulas de Português, todas as variantes da língua. A mídia deve parar de estereotipar as personagens de acordo com sua forma de falar, e ao invés disso, fazer campanhas contra o preconceito.