Preconceito Linguístico
Enviada em 14/04/2021
O preconceito linguístico é praticado com base nas diferenças linguísticas que existem em um mesmo idioma. No Brasil, especificamente, não se trata de um assunto novo, mas que se baseia sobretudo em uma língua padrão, próxima àquela falada no centro-sul do país, usada como motivação para o desrespeito às outras formas de falar. Desse modo, a parte da sociedade que foge a esse padrão considerado aceitável sofre represálias e exclusão, sendo tida como menos capaz apenas por conta das variedades linguísticas não consideradas. Por isso, é imprescindível debater e buscar minimizar os efeitos do problema.Mundialmente, o Brasil é considerado um país miscigenado e de cultura ampla. Objetivo a isso, não é raro encontrar, na sociedade brasileira, diversas manifestações artísticas, de expressão e, também, linguísticas. Como variantes faladas no Nordeste, por exemplo, divergem das faladas no Sul, contribuindo para a riqueza de um idioma. No entanto, há resistência da população em aceitá-las, refletida na criação de um estereótipo de nordestino analfabeto ou inferior, cuja fala é considerada errada por isso, é tido como incapaz.Esse preconceito acaba constrangendo e excluindo regionalmente grupos inteiras, alimentando uma intolerância que beira a xenofobia e contrariando, assim, o Artigo 3 da Constituição de 1988, que garante liberdade de todos, independentemente de raça, cor, etnia, gênero, religião e região. Ademais, a estereotipamento que produz o preconceito linguístico se estende a quem possui baixa escolaridade. A crise educacional brasileira não é mistério, por isso há obrigada a ter dificuldade de acesso às escolas. Essa deficiência educacional é muitas vezes por outros cidadãos e pela mídia para criar um imaginário de fala errada e fala de quem é pobre.A exemplo, a personagem Adelaide, do programa humorístico Zorra Total, é tratada comicamente como uma negra, de aparência grotesca e que fala tudo de forma errada em relação à norma padrão. Questões assim são uma arma de segregação porque facilitam a assimilação populacional de que têm na mesma condição que Adelaide são inferiores e devem se envergonhar da forma como falam apenas por ser uma maneira pouco convencional no padrão aceito. Logo, para evitar maiores danos à liberdade de fala dos brasileiros, necessária para ser separados. O Ministério da Educação deve, através de definição prévia dos conteúdos escolares nacionais,incentivar o debate direcionado das variantes linguísticas nas aulas administradas por professores de português de modo a garantir que o caráter cômico de falas tidas como seja diferente desconstruído na mente dos alunos.Além disso, o Poder Legislativo deve, através da votação de uma Lei no Congresso Nacional, proibir a veiculação de programas humorísticos que retratem com preconceito figuras nacionais estereotipadas, com o objetivo de extinguir o preconceito linguístico propagado em rede nacional.