Preconceito Linguístico

Enviada em 14/04/2021

A língua é um dos principais meios de comunicação na sociedade, já que é responsável pela interação entre indivíduos. Entretanto, ela também pode operar de maneira negativa, sendo uma ferramenta de preconceito social. Nota se que há regiões em que a língua é tratada como algo engraçado, apenas por ser diferente do que foi escolhido como padrão, por isso, é preciso entender que há diversas variantes na língua, e uma não deveria ser tratada como inferior da outra.

Primeiramente, é importante destacar que, embora a maioria dos brasileiros seja falante do português existem variantes da língua como, regionais, sociais, etários e histórico. A diversidade regional ao longo da História do Brasil ocasionou áreas mais ricas e industrializadas, e outras em retrocesso econômico. Em razão disso, existe a estigmatização das variantes faladas pelas pessoas das regiões mais empobrecidas, como a região Nordeste e a região Norte. De acordo com o psicólogo e pesquisador Lev Vygotsky, a linguagem é o fator que permite ao homem a possibilidade de interpretar e compreender o mundo. Sendo assim, privar indivíduos da expressão pessoal, baseado somente em uma visão padrão da língua, é lhes restringir a própria manifestação de suas particularidades.

Além disso, a existência da norma padrão da língua portuguesa, tornando-a homogênea, colaborou com a intolerância existente, visto que suas variantes foram menosprezadas. Sobre isso a construção de estereótipos foi reforçada. Na mídia o modo como a fala de moradores de determinados regiões é retratada nas novelas é propositalmente errônea para provocar o escárnio dos demais personagens e do espectador, marginalizando e excluindo os falantes representados. Para o filósofo e linguista Ferdinand de Saussure, a fala não pode ser entendida como estática ou única, visto que é ela um ente vivo, transformado constantemente pelas interações sociais. Desse modo, a esfera de valores e formações distintas peculiares ao Brasil torna a língua móbil e diversa, condição enriquecedora que, diferente do que se vê, deve ser valorizada.

Portanto, para evitar danos a liberdade de fala dos brasileiros e para um melhor bem-estar social, medidas precisam ser tomadas. O Poder Legislativo deve através de uma lei proibir a apresentação de programas humorísticos que retratem com preconceito figuras estereotipadas. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) deve, através de uma prévia modificação dos conteúdos escolares nacionais, instigar o debate direcionado sobre as variantes linguísticas nas aulas, com intenção de garantir que o caráter cômico de falas tidas como diferentes seja desconstruído na mente dos alunos.