Preconceito Linguístico
Enviada em 14/04/2021
Preconceito linguístico. Substantivo masculino usado para denominar o resultado da comparação entre o modelo idealizado de língua que se apresenta nas gramáticas normativas e o modo de falar real das pessoas que vivem na sociedade de diferentes regiões. O Brasil apresenta uma grande extensão territorial ocupada por povos de várias culturas, além de uma rica diversidade social e regional que contribui para as variações linguísticas presentes no país, mas no mesmo idioma. Em razão dessas variações no vocabulário dos brasileiros de cada região, é muito comum que ocorra ou tal preconceito linguístico, causando estereótipos, desrespeito e julgamentos contra essas pessoas.
Segundo o professor, linguista e filólogo Marcos Bagno, em sua obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, não existe uma forma correta ou incorreta do uso da língua, e o preconceito linguístico colabora com a prática da exclusão social. É comum casos verificados onde as pessoas são ridicularizadas e excluídas, em identificação de emprego, por exemplo, ao utilizar uma variedade informal da língua ou apresentar sotaque de uma determinada região, contribuindo para mais desemprego e péssimas condições financeiras dos cidadãos do país, pelo acesso limitado à educação dessas classes mais pobres.
Em segunda análise, é perceptível que esses preconceitos enraizados na sociedade brasileira também contribuem para os estereótipos, criados para esses necessariamente que fornecidos forma de se expressar. Os estereótipos interferem nas relações sociais entre as pessoas, por serem negativos na maior parte das vezes, se expressando através de piadas, ofensas, humilhações e insultos verbais que podem resultar em violências físicas e uma visão preconceituosa em relação às pessoas de determinada região. Um exemplo é o caso de discriminação linguística ocorrido contra um participante do reality show Big Brother Brasil 2021, Juliette Freire, da Paraíba. Karol Conká, outra participante do reality, durante uma conversa com outro jogador comentou que, por ser de Curitiba, tinha educação, ao contrário de Juliette que falava pegando nas pessoas, ridicularizando o sotaque da integrante ao imitá-lo exageradamente.
Conclui-se que, com todas as consequências negativas que o preconceito linguístico traz, é de suma importância que o tema seja mais debatido em casa e principalmente nas escolas, com palestras e debates que visem a conscientização às crianças de que nenhum tipo de preconceito é válido, com linguistas, psicólogos e outros profissionais da área que saibam ensinar também a diferença de língua e linguagem, além de suas variações, e, assim, o preconceito será erradicado nas pessoas desde o início da vida.