Preconceito Linguístico

Enviada em 20/04/2021

O movimento cultural denominado Modernismo Brasileiro, possuiu como características a valorização da variedade linguística e da cultura pouco reconhecida, como é visto no poema Pronominais, de Oswald de Andrade. Contudo, torna-se utópica essa valorização, já que no Brasil hodierno a problemática do preconceito linguístico é persistente. Desse modo, é importante evidenciar que as raízes dessa tentativa de suprimir as diversas formas de falar são oriundas de uma construção escolar, social e política.

Com efeito, para o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua tese da violência simbólica e do capital cultural, certos saberes são mais valorizados que outros pela sociedade. Nesse viés, evidencia-se que a gramática normativa e a língua erudita são mais aceitas e veneradas que a imensa variedade linguística e cultural tupiniquim. Entretanto, o português é uma língua viva e em constante mutação. Dessa forma, basear-se apenas em um modo do falar é excluir a pluralidade e abraçar o homogêneo, processo o qual pode acarretar até o desaparecimento de algumas vertentes linguísticas.

Outrossim, na obra Microfísica do Poder, do filósofo Foucault, existem mecanismos de opressão e dominação, e a língua é um caso nótorio. Em conformidade a isso, é possível exemplificar essa tese com o domínio lusitano no Brasil, o qual logo reprimiu as manifestações linguísticas dos indígenas e escravos. Portanto, é evidente que a exclusão do falar de milhares de brasileiros, como nordestinos e nortistas, nada mais é que uma forma de dominar essa parcela e privilegiar aqueles que encontram-se numa posição de poder. Ademais, é importante salientar que os dominantes normalmente possuem maior grau de escolaridade, o que corrobora o problema, já que o ensino brasileiro ainda é fixado apenas na norma padrão e geralmente não aceita outros modos da língua.

Destarte, são necessárias ações concretas para mitigar o preconceito linguístico. Dessa maneira, é dever do Ministério da Educação adotar, de forma imediata, em seu ensino de base a valorização das variedades, propondo textos e livros os quais possuam manifestações plurais. Além disso, esse órgão também deve promover palestras acerca do tema, em escolas e universidades, com a participação de linguistas e sociólogos, e essas devem ser gravadas e acrescentadas posteriormente em um documentário, que será veiculado nas redes sociais, o qual contará com depoimentos advindos das diversas regiões brasileiras. Assim, é possível afastar-se da tese de Bourdieu e valorizar os múltiplos saberes.