Preconceito Linguístico

Enviada em 23/04/2021

Em 1988, representantes do povo - reunidos em Assembleia Constituinte - instituíram o Estado de Direito, a fim de assegurar o respeito a patrimônios culturais como valores supremos de uma sociedade fraterna. Todavia, o preconceito linguístico impede que muitos brasileiros experimentem as garantias constitucionais na prática. Com efeito, na contemporaneidade, presenciamos atos históricos de discriminação dos falares brasileiro e também, desrespeito linguístico.

Sob uma primeira análise, há de se desconstruir a discriminação dos tipos linguísticos no Brasil. A esse respeito, Gilberto Freyre, por meio do livro “Casa-Grande e Senzala”, denuncia uma sociedade brasileira marcada pela imposição social e comportamental, orientada pela figura do senhor de engenho. Nesse viés, o preconceito linguístico representa uma das imposições retrógradas iniciadas na “Casa-grande” colonial e que se perpetua no cotidiano de substancial parcela da população, apesar de anos de evolução nacional. Desse modo, é inaceitável que em um país com tamanha diversidade cultural e linguística permaneça com pensamentos retrógrados e coloniais.

Ademais, vale ressaltar que, de acordo com Mikhail Bakhtin, em sua obra “Carnavalização da sociedade”, o riso é uma forma de desconstruir um grupo marginalizado e de incentivar o preconceito. A esse respeito, sob um pretexto de entretenimento, a mídia brasileira costuma ridicularizar com crueldade o linguajar de grupos sociais e regionais de baixo prestígio - um exemplo da pronúncia de indivíduos do Nordeste e de periferias -, colaborando para a opressão da linguagem e, por conseguinte, enfatizando a prática da Carnavalização, de Bakhtin. Assim, enquanto estereótipos se mantiverem, o país será obrigado a conviver com a exclusão linguística.

Portanto, faz-se necessária a atuação dos Ministérios da Cultura e Educação, em parceria com a mídia, na educação da população - especialmente das crianças e dos adolescentes, para que desde novos não disseminem o preconceito linguístico -, acerca da necessidade da extinção do conteúdo exposto em novelas e programas de humor que banalizam esta discriminação. Isso deve ocorrer por meio da promoção de palestras nas escolas e de propagandas em canais abertos, a fim de orientar a todos que gozar o próximo, devido ao seu modo de falar e sotaque, é ser intolerante. Dessa forma, garantir-se-á o respeito ao patrimônio cultural brasileiro, à diversidade de linguajar.