Preconceito Linguístico

Enviada em 23/04/2021

O preconceito linguístico é praticado com base nas diferenças linguísticas que existem dentro de um mesmo idioma. No Brasil, especificamente, não se trata de um assunto novo, mas que se baseia sobretudo em uma língua padrão, próxima àquela falada no centro-sul do país, utilizada como motivação para o desrespeito às outras formas de falar. A parte da sociedade que utiliza a linguagem de forma diferente do considerado padrão aceitável sofre com um preconceito por seu modo de se expressar, sendo considerada menos capaz intelectualmente apenas por conta das variedades linguísticas. Por isso, é imprescindível debater e buscar minimizar os efeitos do problema.

O Brasil é um país miscigenado e de ampla cultura, não sendo raro encontrar diferentes formas de expressão artística e linguística. As variações encontradas no nordeste, por exemplo, divergem das faladas no sul, contribuindo para a riqueza de nosso idioma. No entanto, encontramos uma certa resistência por parte da população para aceitar tais variedades, o que acarreta na criação de um esteriótipo de nordestino analfabeto e inferior, cuja fala é considerada errada e, por isso, é tido como incapaz.

Também temos a questão da crise educacional brasileira, que contribuí para que este preconceito se estenda a quem, por conta desta situação, não tem acesso à escola. Esta deficiência educacional é muitas vezes utilizada por outros cidadãos e pela mídia para criar uma ideia de fala errada e fala de quem é pobre. Isto nos traz a situação na qual a população assimila que aqueles que não tem condições devem se envergonhar de sua fala, por ser diferente do considerado padrão.

Logo, para por um fim neste preconceito e evitar mais danos à liberdade de fala, medidas devem ser tomadas. Cabe ao Ministério da Educação, por meio de uma alteração na BNCC, incentivar este debate sobre as variações linguísticas e quebrar este caráter cômico das falas consideradas diferentes na cabeça dos alunos. Além disso, o Poder Legislativo deve, através de votação, por em vigor uma lei que proíba a circulação de programas humorísticos que retratem preconceituosamente estes esterioótipos linguísticos.