Preconceito Linguístico

Enviada em 28/04/2021

Na música “Preconceito Linguístico”, da cantora e compositora Isabela Moraes, em determinado momento é cantado, “Faço a crença pelo meu velório a reza / Que enterraram as palavras portuguesas / O preconceito linguístico / Palavras marginalizadas”. O trecho retrata a injúria linguística na cultura brasileira, apontando suas variedades linguísticas como algo desclassificado em virtude à sociedade. A partir dessa contextualização, expõe o preconceito linguístico enraizado no comportamento social.

Em primeiro lugar, convém analisar a importância do campo linguístico, a fim que se perceba as incoerências da exclusão. Sendo assim, é favorável apresentar a definição da escritora Chimamanda Ngozi Adicche referente à desvalorização de alguém por questões culturais, sendo exposto como “os perigos da história única”. Ou seja, quando determinada história contada é disposto de apenas um lado e por alguém que ocupa espaços de poder, define-se uma história unilateral que é repassada como verdadeira.

Na atualidade, temos como referência o programa ‘Big Brother Brasil 2021’, em determinado momento a participante Karol Conká, afirmou que sua educação era superior, pois a mesma não possuía uma “educação nordestina” como a participante Juliette. Essa fala, foi exposta devido ao sotaque e variação linguística que Juliette apresenta, sendo caracterizada como xenofobia à variedade regional da língua nordestina. Portanto, é importante ressaltar que xenofobia é um crime que ataca uma cultura e construção de determinada linguagem.

Torna-se evidente, a relevância de cessar as tendências discriminatórias relativas as diferenças linguísticas. Cabe ao Ministério da Comunicação englobar e expandir tal discussão. Para tanto, devem ser realizados projetos em universidades e escolas voltados para o estudo mais aprofundado da variabilidade linguística na sociedade. Outrossim, o Ministério da Cidadania, pode colaborar com explicações notáveis sobre a formação cultural brasileira e a sua identidade. Destarte, as palavras marginalizadas farão parte do contexto brasileiro e respeitadas como todas as outras.