Preconceito Linguístico
Enviada em 29/04/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à triste realidade do preconceito linguístico e seus efeitos no Brasil. Nesse sentido, a desigualdade social e a escola como instituição mantenedora desse ato ruim denotam desafios para resolver o problema. Dessa forma, analisar as causas da problemática é medida que se impõe, a fim de mitigar seus impactos.
Sob esse viés, pode-se apontar o fato da sociedade ser hierarquizada como empecilho à consolidação de uma solução. À luz dessa ideia, vale considerar que isso acontece desde o período colonial, na qual só parte da sociedade teve acesso à educação. Porém, apesar desse cenário ter sido mudado na atualidade, a divisão social no passado intensificou as desigualdades no país e disseminou o preconceito linguístico, pois as pessoas vinda de contextos sem acesso à educação tradicional não fala da mesma forma que a elite, no entanto essa diferença é caracterizada pejorativamente como errada. Assim, ao analisar a sociedade com a visão realista de Machado, a população precisa acabar com os comportamentos egoístas e desconstruir a ideia da fala como prestígio social.
Ademais, o mito propagado no ambiente escolar de que existe uma unidade linguística no Brasil é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse sentido, é preciso entender que a escola tem o papel de educar o aluno, todavia ele não chega dominando a gramática normativa, mas sim o português nato. Porém, muitos professores têm a cultura de supervalorizar a norma padrão, devido a visão limitada de que só existe uma unidade de língua, então, eles reprimem e dscriminam quem não a domina. Por consequência, esse acontecimento se torna uma prática de bullying que exclui as pessoas e gera traumas psicológicos. Logo, é necessário intervir nas causas da questão.
Destarte, diante dessa problemática, é urgente o combate ao preconceito linguístico no Brasil. Cabe ao Ministério de Educação, em parceria com a mídia, portanto, criar uma semana para realizar campanhas de maneira nacional (como, por exemplo, o dia ou semana da consciência negra), por meio de palestras e propagandas via televisão e internet - serão momentos de esclarecimento de que existem variantes linguísticas e não existe maneira correta de falar – para, assim, diminuir o preconceito por falta de conhecimento sobre o assunto. Dessa forma, os maus comportamentos relatados por Machado de Assis poderão ser mudados.