Preconceito Linguístico
Enviada em 30/04/2021
Desde a colonização do Brasil as minorias são reprimidas, inclusive pela língua, haja vista que uma das maneiras de manter a hegemonia lusitana era garantir que apenas a língua portuguesa fosse falada na colônia, em detrimento dos falares africanos e indígenas. Nesse contexto, indiscutivelmente, nota-se que o preconceito linguístico presente no país atualmente é um problema de raiz histórica que está relacionado não só à construção social estratificada e excludente, mas também à falta de reconhecimento e valorização das variedades linguísticas e regionalidades como identidade cultural.
Sob essa perspectiva, convém enfatizar que a construção social segregacionista do Brasil está entre as principais causas do preconceito linguístico. Para Marcos Bagno - importante linguista brasileiro - todo preconceito linguístico é, no fundo, preconceito social, já que no Brasil educação e renda estão interligados. De fato, é comum que pessoas pouco escolarizadas se sintam constrangidas e limitadas na presença de pessoas muito escolarizadas, limitando, assim, os espaços ocupados pelas classes menos abastadas. Nesse sentido, percebe-se que o preconceito linguístico, além de menosprezar a cultura do indivíduo e do seu grupo, pode ser uma ferramenta de intensificação da segregação social.
Ademais, é evidente que a falta de reconhecimento e valorização das variantes linguísticas e dos regionalismos perpetuam a questão. Nortistas, nordestinos e funkeiros, por exemplo, não têm sua cultura reconhecida e, muitas vezes, são ridicularizados pela sociedade. Foi o que aconteceu com a paraibana Juliette Freire - participante do Reality Show Big Brother Brasil 21 - que foi alvo de chacota por parte de outros participantes do programa pelo seu sotaque. Dessa maneira, entende-se que movimentos de valorização da cultura não reconhecida tradicionalmente, tal como o modernismo brasileiro, fazem-se necessários na atualidade.
Verifica-se, portanto, que a construção histórica do Brasil somada à falta de valorização e reconhecimento das variantes da língua são fatores que perpetuam a problemática e, por isso, medidas precisam ser tomadas com o fito de solucioná-la. Primeiramente, as escolas de nível fundamental e médio devem, por meio de rodas de conversa nas aulas de português e história, promover a discussão da importância da variação linguística para a construção da identidade do país, usando exemplos próximos e do cotidiano. Nesse sentido, o intuito de tal ação é promover o debate cultural desde a formação inicial do indivíduo. Além disso, é papel da mídia produzir campanhas e programas abordando a temática, com o objetivo de valorizá-la e dar destaque aos regionalismos, fazendo com que eles sejam reconhecidos pela sociedade, diminuindo, assim, o preconceito.