Preconceito Linguístico
Enviada em 07/05/2021
Na música “Samba do Arnesto” do Adoniran Barbosa, é retratado um convite para um samba feito pelo Arnesto, um senhor que possui pouca escolaridade. Nesse sentido, a canção apresenta uma reflexão sobre o constrangimento que certas pessoas passam por não aprenderem ou aderirem a norma culta. Por analogia, a reflexão presente na música é um fato existente na realidade do séc. XXI, na qual a grande maioria dos grupos que possuem dialetos diferentes são discriminadas ora ridicularizadas no Brasil. Tais atos presunçosos são desencadeados pela construção limitada de língua e linguagem oferecida pelas escolas e por meio da mídia que faz representações caricatas de pessoas de outras regiões e estilos de vida.
Em primeiro lugar, faz-se necessário lembrar que o ensino exclusivamente focado no aprendizado da norma culta promove a exclusão e marginalização de outros dizeres. De acordo com o pensamento de Imanuel Kant, “ O ser humano é aquilo que a educação faz dele” os alunos que aprendem unicamente a gramática tradicional estão sujeitos a cometerem atos discriminatórios contra comunidades de baixa escolaridade, diferentes regionalidades, faixas etárias entre outros. Consequentemente, os indivíduos que sofrem discriminação linguística tendem a desenvolver dificuldades de sociabilidade e, até mesmo, psicológicos.
Ademais, quando a mídia faz piadas e representações errôneas de indivíduos provindos do Nordeste, por exemplo, reforçam, de certo, a intolerância linguística no país. Nesses casos, a linguagem vira um instrumento de dominação, conforme o conceito de capital cultural, criado pelo Pierre Bourdie, visto que os falantes de outros dialetos são subjugados pela norma culta padrão. Logo, a parcela da população que não se integra ao código dominante é menosprezada em uma serie de espaços públicos.
Portanto, é preciso que as escolas abordem o tema do preconceito linguístico de uma maneira mais intensiva, por meio da aplicação de todas a variantes linguísticas na matéria de português, com a finalidade de formar alunos com uma visão crítica e desprovida de hostilidades acerca da língua nacional. Além disso, é de extrema importância que a mídia viabilize a diversidade dos falares do Brasil, através de narrativas, filmes, novelas e assim por diante, que desconstruam as alegorias caricatas e desestimulem a depreciação das outras formas do idioma. Somente assim, será possível que pessoas, como o Arnesto, do “Samba do Arnesto”, não passem por mais constrangimentos pelo seu modo de falar.