Preconceito Linguístico

Enviada em 02/05/2021

Segundo o filósofo Lévi-Srauss, para um entendimento completo acerca de um grande número de questões que permeiam a sociedade, é preciso que haja uma correlação com os eventos históricos influenciadores e como esses ainda trazem consequências nas relações hodiernas. Essa compreensão é ponto chave na discussão do preconceito linguístico, visto que muitos fatos da história de formação do povo brasileiro ainda ecoam em comportamentos atuais e incentivam, muitas vezes, o preconceito e a intolerância.

Primeiramente, é imperiosa a discussão a respeito da formação do povo brasileiro, e por consequência, é claro, de sua linguagem. De fato, é inegável que a mistura de culturas e idiomas provenientes da grande migração de estrangeiros ao Brasil desde o período colonial, assim como a dimensão continental desse país, culminaram na criação de uma língua diversa e heterogênea. Assim, até os dias de hoje, palavras e expressões presentes em algumas regiões não são compreendidas em outras por vezes nem tão distantes. Pode tomar-se como exemplo o aipim, legume presente na alimentação da maior parte dos brasileiros e que possui diversos outros nomes, tais como macaxeira e mandioca, à depender da região em que se encontra.

Por outro lado, é inegável o potencial segregacionista e repressor que a linguagem pode ter na vida de muitos. Por não entenderem a complexidade e a pluralidade do idioma, muitos indivíduos acreditam que esse deve se limitar a normas e regras e que, aqueles que não as dominam não devem reivindicar poder de fala. Dessa forma, o preconceito linguístico usa da violência simblólica que, de acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, é um tipo de agressão não pautada na violência física, mas verbal e psicológica, com o uso de artimanhas como piadas, ditados populares e brincadeiras que geram preconceito, exclusão e intolerância.

Portanto, é imperioso que sejam tomadas medidas que possam promover a compreensão, por parte do povo brasileiro, acerca da pluralidade da língua portuguesa. Logo, é fundamental a ação do Ministério da Educação, agindo juntamente com prefeituras e escolas, por meio de educadores, na criação de oficinas educativas voltadas a crianças, jovens e suas famílias, com o intuito de esclarecer, instruir e informar acerca da variedade linguística do Brasil e como essa deve ser vista de forma positiva e não excludente. A partir dessas ações, poderá permear na sociedade uma maior harmonia no tratamento das diferenças linguísticas, desestimulando, por consequência, os atuais preconceitos e intolerâncias que regem a problemática aqui tratada.