Preconceito Linguístico

Enviada em 30/08/2021

Segundo o filósofo e linguista Marcos Bagno: o preconceito linguístico é todo juízo de valor negativo (de reprovação, de repulsa ou mesmo de desrespeito) às variedades linguísticas de menor prestígio social. Sob essa ótica, a discriminação contra o modo de falar de muitos brasileiros é uma realidade no país. Isso ocorre devido à existência de diversas linguagens regionais, provocando a segregação social de indivíduos que sofrem com essa problemática.

Primeiramente, é válido ressaltar que o extenso território brasileiro contribue para o surgimento da variação linguística. Já que, a língua sofre influência dos hábitos e da cultura local. Além disso, os diferentes grupos existentes na sociedade, separados por situação socioespacial e econômica, também contribuem para esse processo. Nesse sentido, é inapropriada a ideia do uso único da língua padrão em todos os contextos sociais, visto que, a diversidade cultural e social dificulta essa prática. Outrossim, geralmente, dependendo do interlocutor, a comunicação acontece sem a necessidade do português correto. Tal como exemplifica uma passagem do livro “Preconceito Linguístico”: não existe forma certa ou errada de falar, mas sim a maneira adequada ou inadequada, dependendo da situação. Desse modo, o emprego de normas gramaticais seria realmente necessária apenas em circunstâncias formais.

Entretanto, mesmo que seja dispensável o uso da norma padrão em determinados contextos, os indivíduos que não utilizam desse português sofrem repressão. Assim, uma das consequências dessa forma de preconceito é a exclusão social. Uma vez que, essas vítimas são frequentemente estigmatizadas como “burras” e “ignorantes”. Logo, essa desaprovação, muitas vezes, gera um sentimento de superioridade nas pessoas que utilizam somente da linguagem padrão, o que acaba isolando os demais falantes. Como confirma uma notícia publicada pelo jornal G1: médico debocha de paciente na internet por não pronunciar corretamente a palavra “pneumonia”. Dessa maneira, esse caso demonstra o quanto o preconceito linguístico fragiliza a dignidade humana, e, consequentemente, proporciona a segmentação de pessoas nos espaços sociais.

Portanto, cabe às escolas combeter o preconceito linguístico nos ambientes escolares, por meio de de palestras e cartazes. As palestras serão ministradas por sociólogos e linguistas, e tratarão das diversas variantes linguísticas no país e do entendimento de que nem sempre é incorreto o uso delas. Os cartazes serão colocados nos espaços dessas intituições e terão uma mensagem de conscientização e combate à discriminação aos diferentes falares regionais. Para que, através do ensino, as próximas gerações não sofram desse estigma social, e o impasse seja solucionado. Pois de acordo com filósofo Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”.