Preconceito Linguístico

Enviada em 07/05/2021

A linguagem constitui-se como um elemento primordial à comunicação, pois pelo seu intermédio o diálogo e a expressividade se concretizam, permitindo a interação entre os indivíduos. Essa tem a mutabilidade como uma de suas principais características, o faz com que carregue consigo marcas de regionalismos, cultura e costumes. O Brasil, devido a sua extensão continental, possui uma rica variedade de maneiras de manifestação da língua portuguesa, porém, ainda assim existe um grande preconceito acerca do tema, devido, principalmente, a uma tendência de padronização, o que faz com que a língua acabe por se tornar um instrumento de opressão social. Primeiramente, observa-se que a sociedade brasileira, em suma maioria, adota um padrão de linguagem como considerado correto, menosprezando de maneira preconceituosa as variações que esse pode apresentar, frente à diversidade do país. Entre os fatores que levam a tal ocorrência, um dos mais expressivos é o modo com que a mídia - importante meio de influência comportamental -representa os diferentes tipos de cidadãos. Os moradores do interior, por exemplo, frequentemente são apresentados de modo pejorativo, como grotescos e desinformados, figurando o humor do enredo, e a maneira de falar é o principal recurso para se alcançar tal efeito. Essa inferiorização de linguagens expressas com sotaques ou que, por motivos socioculturais, distanciam-se da norma culta, torna o ato da fala como opressor e agravante das desigualdades sociais, uma vez que a formalidade linguística é, em grande parte dos casos, restrita àqueles que possuíram melhores condições de escolarização. A discussão acerca dessa problemática evidenciou-se quando, em 2016, um médico postou em suas redes sociais uma foto na qual debochava de um paciente que durante uma consulta referiu-se a “peleumonia? e “raôxis?. Isso gera um descompasso entre as diferentes camadas populacionais, prejudicando as relações estabelecidas entre elas. É evidente, portanto, a necessidade de implementação de medidas capazes de combater o preconceito linguístico no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação, promover cursos que preparem os professores para a abordagem, em sala de aula, sobre as diferentes variantes do português, bem como a inclusão de informações a respeito dessas nos materiais didáticos, de modo a findar a questão do que é certo ou errado, estabelecendo a noção do que é adequado ou inadequado as situações as quais os alunos serão expostos durante a vida.