Preconceito Linguístico
Enviada em 06/05/2021
Calados, excluídos e controlados
O preconceito linguístico sempre esteve presente na sociedade brasileira. A discriminação é impune pelo governo e aceita pela população. Além de que, ela muitas vezes controla e exclui um grupo de pessoas. Em um país onde reina a impunidade, o Governo está calando uma população carente.
Primeiramente, como raízes históricas e sociológicas da opressão estão cada vez mais naturalizada. Conforme o livro “Eichmann em Jerusalém” da filósofa H. Arendt, o mal é político e histórico se manifestando onde encontra espaço institucional para isso. No Brasil, existe uma legitimidade social para a exclusão de pessoas que falam frases como “nois pega o peixe” e “os livro”. Isso porque, a visão do falar diferente da norma culta ainda é muito estereotipada, relacionada muitas vezes a uma população marginalizada que sofre ainda com diversas outras categorias de preconceitos. O Brasil possui 11 milhões de analfabetos e uma população que oprime e exclui pela forma de falar. Um analfabeto diz “nois paga o peixe”, pois ele não teve a oportunidade de aprender que se recebeu “nós pegamos o peixe”.
Ademais, na história a imposição de uma língua usada para controle, atualmente o preconceito tem tambem esse papel. No Brasil Colônia, a língua original do povo indígena foi calada e a obrigação de falar o português da metrópole foi imposta, isso tirava dos indígenas sua identidade comunicativa e deixava eles suscetíveis a um controle e manipulação. Na fase do capitalismo em que nos encontramos, após a globalização, o preconceito linguístico exclui e expulsa do convívio social uma população carente que não teve oportunidade de estudo.
Assim, fica evidente a necessidade de medidas para o combate ao preconceito linguístico. Uma delas, e a mais eficaz, é discutir o passado e a história da língua portuguesa. Cabe à escola, principal agente transformador do indivíduo, pontuar as diferentes categorias de comunicações, as gírias, os sotaques e as variações que se distanciam da norma culta. Para que, dessa forma, o conceito seja desconstruído e findado. Só quando se tem conhecimento sobre o problema podemos solucioná-lo. Discutir sobre o preconceito somente será possível quando entendermos o porquê de ele ainda estar presente na nossa sociedade.