Preconceito Linguístico
Enviada em 06/05/2021
No livro Preconceito linguístico: o que é e como se faz, o professor Marcos Bagno desconstrói os principais mitos acerca da variação linguística e consequentemente, o preconceito linguístico. Ele fala, por exemplo, que não existe uma língua certa ou errada, existem maneiras adequadas e inadequadas de falar dependendo do contexto. No entanto, o preconceito linguístico no Brasil, é muito evidente e, por isso, é preciso entender que há diversas variantes na língua, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação as demais.
Nenhuma língua é um bloco homogêneo, todas as línguas apresentam uma ampla variação e estão em um permanente processo de transformação. Portanto, fatores etários e sociais não podem ser desprezados, já que é impossível que esse processo seja interrompido. Aqui no Brasil, a norma culta é usada por pessoas que tem um nível alto de escolaridade e, consequentemente, uma boa condição financeira. Logo, visto que o preconceito linguístico é uma realidade, a parcela da população que não domina essa variante do idioma é excluída de uma série de espaços públicos.
Além disso, existem determinadas regiões do país que acabam sendo depreciadas e desmerecidas, principalmente devido ao do sotaque. O Brasil é um país miscigenado, contendo em sua história imigrantes portugueses, japoneses, italianos e até holandeses, causando influência no modo de falar das regiões que habitavam. Sendo assim, errado classificar um povo pelo seu sotaque, o qual acontece exageradamente contra nordestinos, considerados analfabetos e ignorantes por uma grande parte da população, apenas pelo seu modo de falar. Consequentemente, os indivíduos que sofrem essa discriminação tendem a desenvolver problemas de sociabilidade e, até mesmo, psicológicos.
Conclui-se que, no país, existe muito preconceito linguístico contra as pessoas de regiões afastadas da capital e de classes baixas que utilizam variações da língua e, esse preconceito precisa ser desconstruído. As escolas deveriam fazer uma abordagem mais profunda sobre esse tema, além de ensinar, nas aulas de português, todas as variantes existentes na língua, para que os alunos tenham uma visão crítica sobre a língua. A mídia deveria parar de estereotipar os personagens de acordo com a sua maneira de falar e poderia investir em campanhas que ajudem a desconstruir esse preconceito.