Preconceito Linguístico

Enviada em 06/05/2021

Porque não deve haver preconceito linguístico

O preconceito linguístico está relacionado ao desprezo, humilhação ou aversão de outra pessoa por causa da sua variante social ou regional ao expressar-se. Ele inicia-se no momento que considera-se a norma culta a única forma correta do idioma e exclui-se as outras. No entanto, não há motivos para ter como certa somente a gramática normativa.

Primeiramente, a língua é viva. Os indivíduos fazem-a. Desde sempre, acrescenta-se palavras, pronuncias e estruturas que, de início, são consideradas erradas. Porém, incorporou-se-as tão profundamente que passaram a ser aceitas nos dicionários. Um exemplo é “você”, que veio de “vosmecê”, uma aglutinação de “vossa mercê”. Acredita-se que futuramente poderá usar-se, sem erro gramatical, o significando “cê”. Assim, se uma grande quantidade do que é considerado apropriado para o idioma já foi tido como errado no passado, não há razões para taxar como errado uma nova maneira de expressar-se.

Além do mais, assim como a diversidade cultural enriquece o país, as diferentes nuanças semânticas, sintáticas e gramaticais tornam mais rica a matiz idiomática do Brasil. Não que não seja importante uma norma padrão que garante a unidade, mas que a normativa não exclua a variedade.

Tendo em vista essas informações, um educador precisa despertar seus alunos não apenas para as regras da norma culta, mas também para a diversidade linguística. Sendo assim, esse fato social não vai ser objeto de preconceito, mas de apreciação e valorização.