Preconceito Linguístico

Enviada em 06/05/2021

Juízes linguísticos

Em um País formado pela miscigenação de diversas etnias e culturas, dentro de seu imenso território, torna-se extremamente comum o fato de variações linguísticas existirem. Porém, desde sua colonização é possível observar que diversos indivíduos agem como Juízes, julgando somente a linguagem culta como correta e como consequência, menosprezando os demais que não a utilizam da mesma maneira, o que é extremamente preconceituoso, pois ao realizarem ações do tipo, ignora-se a existência de variações socioeconômicas, culturais, regionais, entre outras, existirem.

Primeiramente, deve-se levar em conta que por uma confusão no curso da história brasileira a gramática normativa é posta por muitos, em um pedestal, e a utilizam como base de seus argumentos para definir a língua “correta”, o que é claramente falso pois a língua é uma entidade complexa, um conjunto de subsistemas que se integram e interdependem irremediavelmente. Também, é necessário lembrar que a maior parte das regiões do território nacional herdam características linguística dos povos sejam eles indígenas, africanos ou europeus, como por exemplo as palavras “Urubu”, “Açaí” e “sagui” que possuem origem indígena. Desse modo, mostra-se que as atitudes preconceituosas provêm de uma ignorância.

Além disso, é de extrema importância observar que os atos de preconceito linguístico partem usualmente de uma elite que tem acesso à educação de qualidade e a instituições de ensino durante a vida inteira garantido. Portanto, estão imersos em uma bolha, onde, não enxergam o fato de que 48,8% da população Brasileira não possui nem mesmo o ensino médio completo.

Com isso, conclui-se que o preconceito linguístico é desrespeitoso, pois desconsidera toda a herança histórica das variações linguísticas e tenta impor a ideia de que a norma padrão é a versão “certa” da língua como verdade absoluta. Desta maneira, torna-se necessário que os dois principais agentes formadores do pensamento, a escola e a mídia, desenvolvam estratégias como a inserção de personagens de diversas culturas com variados sotaques, e por meio da escola, informar a população sobre o contexto histórico e as diferenças, buscando assim, reduzir a desinformação e o preconceito.