Preconceito Linguístico
Enviada em 07/05/2021
A língua como identidade social
No período colonial brasileiro, o ensino de línguas indígenas era proibido. Tal prática não representou somente uma forma de estabelecer o português como língua exclusiva, mas também uma forma de erradicação da cultura dos nativos. A língua não é apenas uma forma de comunicação. Ela transmite a cultura, os costumes e a história de um povo. O atual preconceito com determinadas variedades linguísticas pode ser visto como uma trágica repetição do ocorrido antigamente.
Desta forma, classes sociais baixas são humilhadas ou repreendidas devido ao seu modo de falar, e o português passa a admitir apenas uma versão: a norma culta. O desaparecimento de outras variantes é uma perda sociocultural imensurável. O vocabulário de determinado grupo é um reflexo de sua realidade cotidiana, e a supressão de tal elemento é impedir a expressão. Por exemplo, estilos musicais como o rap muitas vezes se valem de uma variante caracteristica de grupos marginalizados com a finalidade de apresentar críticas sociais, o que contraria o esteriótipo de que o desvio da norma padrão é sinal de ignorância. Em áreas como a arte, o modo de falar é um sinal de resistência. Em adição, a imposição da norma culta no cotidiano constrói barreiras, tornando a língua elitista.
É impossível ignorar o fato de que apenas uma pequena parcela da população tem acesso ao estudo da norma padrão, portanto, o preconceito linguístico contribui para o crescimento do abismo social existente entre classes. Restringir a língua portuguesa para os mais privilegiados é o cúmulo da camarotização da sociedade brasileira. É inadmissível que algo tão básico como a comunicação seja restrito.
Perante os argumentos apresentados, é evidente que é necessário combater o preconceito linguístico. Os professores devem, desde o ensino fundamental, apresentar diferentes variantes linguísticas, reforçando que não há variante certa ou errada, e sim adequada ou inadequada de acordo com a situação. Tal medida visa produzir gerações menos preconceituosas. Além disso, preconceito linguístico deveria ser classificado como injúria, possibilitando que denuncias sejam feitas para amenizar a situação.