Preconceito Linguístico
Enviada em 08/05/2021
Ao longo da história brasileira, foi nítida a existência de classes sociais mais favorecidas como influências culturais e de etiqueta, e conforme o eixo econômico do país mudava, diferentes regiões participavam da elite. Atualmente, o destaque está na região sudeste devido à maior renda, e isso estabeleceu novas normas sociais, incluindo a maneira de se falar com traços dessa região, e uma vez mostrando maior nível de escolaridade, mais próxima da norma culta. Visto que há um padrão linguístico, indivíduos que dominem o idioma com sotaques de outra localidade ou com divergências do português formal sofrem discriminação. Visando combater esse problema, é necessário promover políticas públicas que conscientizem os jovens, por meio da educação, sobre a existência das diversas variações na língua e o contexto histórico por trás desse preconceito.
Em primeiro plano, é importante reconhecer as falhas da educação gratuita como causas da manutenção dessa intolerância. Isso se dá pois o sistema desse serviço apresenta obstáculos, uma vez que um terço da população adulta não concluiu nem o ensino fundamental e, portanto, maneiras antiquadas e pouco refletidas de se pensar se mantêm, como a crença na existência de apenas um tipo de português correto. Dessa forma é imprescindível alterar esse cenário por meio do aumento de verbas cuja finalidade é aprimorar as estruturas desse setor para que os jovens possam ter condições adequadas de instrução e, portanto, saibam reconhecer as variações linguísticas existentes.
Consequentemente aos déficits citados, há a ligação da xenofobia com o preconceito pela forma de se falar, dado que gírias e sotaques locais, ao serem marginalizados, são atrelados ao caráter de pessoas dessas regiões. Isso ocorreu recentemente no “Big Brother Brasil 2021”, cuja participante Karol Conká, de Curitiba, relacionou os sons característicos da Paraíba na fala de Juliette à sua forma de agir, alegando que nordestinos não possuem boa etiqueta, mas isso não trata de um caso isolado, já que o acontecimento na casa não passa de um reflexo, em menor escala, da convivência na sociedade. Portanto, faz-se essencial valorizar uma maneira efetiva de combate a esse preconceito, a educação, que deve ser garantida com qualidade pelo Estado.
Por fim, conclui-se que ocorre, como consequência do contexto histórico brasileiro, discriminação de acordo com as variações do português, e foi ressaltada a relevância de melhorias estruturais no sistema educacional. Essas devem ser propostas pelo Poder Legislativo por meio da sugestão do aumento de verbas para as bases acadêmicas, responsáveis pela formação do cidadão, com a finalidade de combater esse tipo de julgamento. Assim, casos como o do “reality show” ocorrerão com menor frequência, promovendo maior igualdade.