Preconceito Linguístico
Enviada em 16/08/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prêve como crime qualquer tipo de discriminação. Sob esse viés, conquanto o tópico seja assegurado na teoria, na prática não repercute com ênfase ao se observar o preconceito linguístico no Brasil. Dessa forma, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para o caso, como a falha educacional e a influência midiática.
Em primeiro plano, nota-se que a ausência de medidas governamentais possui íntima relação com a falha educacional no país. Nesse sentido, é visto que as instituições de ensino não desempenham o papel de orientar os alunos acerca dos diversos tipos de linguagem, que se difere da norma padrão, o que corrobora para o preconceito linguístico, que possui raízes históricas e sociais, uma vez que o Brasil é um “caldeirão cultural”, por abarcar diversos povos desde o descobrimento em 1500. Logo, essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, uma vez que o Estado não garante aos cidadãos o gozo da liberdade linguística, o que, infelizmente, é visto no país.
Outrossim, é importante apontar a influência midiática como impulsionadora da discriminação linguística no território brasileiro. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Entretanto, a sociedade atual contraria o pensamento do autor, uma vez que faz uso das redes sociais para disseminar ódio contra as pessoas que falam de maneira diferente, como os pejorativamente chamados “caipiras”, por possuirem sotaque diferente das pessoas que moram nas aglomerações urbanas, o que leva a exclusão social e a doenças mentais, como a depressão. Isto posto, é substancial a mudança desse quadro.
Portanto, em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário que o Poder Executivo - órgão responsável por administrar os interesses públicos - , crie, por meio de políticas antidiscriminatórias, campanhas acerca da importância da inclusão social de pessoas que não falam segundo a norma padrão, a fim de erradicar o preconceito contra essa minoria. Concomitantemente, é imprenscidível que circule nos veículos de comunicação, propagandas acerca da tolerância linguística. Fazendo isso, o Estado estará cumprindo o seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.