Preconceito Linguístico

Enviada em 10/05/2021

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer em seu estado inicial quando a força resultante sobre ele é nula. Fora da Física, é possível perceber essa condição no que diz respeito ao preconceito linguístico, que segue sem uma intervenção que o resolva. Diante dessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à discriminção com o falar das pessoas, que persiste em virtude do pensamento coletivo retrógrado, além da sensação de superioridade presente em uma parcela da sociedade.

Em primeira análise, a lenta mudança na mentalidade social mostra-se como um desafio à resolução do problema. Conforme o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob esse viés, é percebido que a questão do preconceito linguístico é fortemente influenciada pelo pensamento do todo, uma vez que se as pessoas crescem em um ambiente discriminatório, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua neutralização ainda mais complexa.

Outrossim, a problemática encontra terra fértil no sentimento de superioridade experimentado por parte dos falantes da norma culta. A Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e base do Nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa visão, haveria, então, seres humanos superiores a depender de suas características. No contexto atual brasileiro, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na marginalização de indivíduos não dominantes da norma padrão, cuja base é uma forte discriminação.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que tal cenário seja revertido. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o MEC, proporcionem a criação de oficinas educativas, desenvolvidas em semanas culturais nas escolas. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como jogos, dinâmicas e encenações, de modo a permitir a visualização do assunto, além de palestras ministradas por linguístas que orientem sobre a pluralidade linguística para os jovens e suas famílias. Visando, assim, a quebra de paradigmas socialmente alimentados e a formação de cidadãos atuantes na busca de soluções para empecilhos que impedem a construção de uma sociedade harmônica.