Preconceito Linguístico

Enviada em 17/05/2021

Ao longo do processo de formação da escrita e da linguagem, iniciada pelos Sumérios por volta de 4000 anos a.C até a atualidade, diversos idiomas surgiram e com eles, suas variações. Embora essas modificações sejam importantes para estrusturação do idioma, aquelas consideradas de menor prestígio são alvos de rejeição por aqueles que usam outra varicação considerada de maior prestígio social. Assim, é ocasionado o preconceito linguístico, um grave problema, que entre suas causas estão o alto índice de analfabetismo e a existência de uma sociedade elitizada que crer no prestígio linguístico. Dessa maneira, torna-se necessário adoção de medidas que visem minimizar o impasse.

Em primeiro lugar, vale mencionar que esse tipo de julgamento é caracterizado pelo menosprezo que uma pessoa tem em relação a outra pela forma diferente de falar da gramática normativa, considerada a de maior respeito. Na realidade brasileira, o preconceito linguístico pode ser explicado pela alta taxa de analfabetismo da população, uma vez que  essas pessoas não têm acesso a norma culta do idioma e por isso, falam conforme o meio em que vivem. Nessa perspectiva, de acordo com dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - há no Brasil uma alta taxa de analfabetismo, em que 38% da população brasileira nunca foi à escola, tornando essas pessoas, em sua maioria, vítimas do preconceito linguístico.

Ademais, uma parcela da sociedade eletizada foi construída acreditando que a sua forma de falar é a mais correta, pelo fato de terem acesso à educação e à norma culta e, desse  modo, julgam aqueles que falam de forma menos culta. Assim, a escola que é um dos principais meios de construção social, consequentemente, é também, responsável pela perpetuação do problema. Nesse sentido, o linguista brasileiro Marcos Bagno retratou em seu livro “Preconceito Linguístico” o círculo vicioso que esse impasse tem, em que é propagado de maneira normalizada nos livros didáticos escolares a sobreposição da linguagem de maior prestígio em relação as inferiores. Dessa forma, é evidente que as instituições de ensino tem influência direta nesse problema.

Depreende-se, portanto, de medidas que reduzam o preconceito linguístico. Em primeira análise, o MEC - Ministério da Educação e Cultura - deve realizar campanhas de alfabetização por todo país, mediante o uso dos diversos meios de comunicação - como por exemplo, a televisão, redes sociais, outdoor e rádios -, a fim de diminuir o elevado número de analfabetos. Além disso, que as escolas ministrem aulas sobre a história da escrita e linguagem e suas diversas variações, para que uma nova sociedade seja construida, respeitando as modificações da língua. Logo, além de amenizar o problema, acabará com o círculo vicioso dele expôsto por Marcos Bagno em seu livro.