Preconceito Linguístico
Enviada em 10/06/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvouir, pode facilmente ser aplicada ao preconceito linguístico, já que, mais escandaloso do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade.
Em primeira análise, destaca-se a insciência da população em relação às línguas existentes no território brasileiro. Mediante o elencado, esse fato supracitado faz com que alguns sintam-se superiores aos outros, seja por questões de escolaridade ou de classe social -visto que, de acordo com o filósofo Karl Marx, a diferença de classe colabora para o contraste social-. Ademais, rir ou corrigir uma pessoa que está falando, porque ela diz alguma gíria ou não fala tal palavra que é considerada correta, faz o cidadão que está sendo corrigido desenvolver complicações de sociabilidade.
Outrossim, vale ressaltar também a influência negativa no que se concerne a mídia. Por exemplo, a personagem Adelaide, do programa humorístico Zorra Total, é tratada comicamente como uma negra, de aparência grotesca e que fala tudo de forma errada com relação à norma padrão. Dessa forma, questões assim são uma arma de segregação porque facilitam a assimilação populacional de que indivíduos na mesma condição que Adelaide são inferiores e devem se envergonhar da forma como falam apenas por ser uma maneira pouco convencional dentro do padrão aceito.
Portanto, é indubitável que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação tornar obrigatório o ensino das variadas línguas presentes no Brasil, deve realizar tal medida por meio de aulas em todas as instituições de ensino, mostrando aos alunos nossa extensa diversidade linguística. Além disso, o Poder Legislativo precisa proibir a veiculação de programas humorísticos que retratem com preconceito figuras nacionais estereotipadas, com o objetivo de extinguir de vez o preconceito linguístico propagado em rede nacional.