Preconceito Linguístico

Enviada em 16/07/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, assegura promover o bem de todos os cidadãos brasileiros, sem quaisquer formas de discriminação. No entanto, o preconceito linguístico dificulta a efetivação e universalização desse direito, já que é uma diferenciação presente entre os falantes de um mesmo idioma, na qual não há respeito pelas variações linguísticas existentes, como os dialetos, sotaques e gírias. Diante dessa perspectiva, a rejeição das variedades linguísticas de menores prestígio e a má influência exercida pelas mídias agravam a problemática.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a recusa das diversidades linguísticas como um problema. Sob esse viés, de acordo com o filósofo Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, o prejulgamento linguístico deriva da construção de um padrão imposto pela elite econômica e intelectual. Dessa maneira, a negação dessas variações no Brasil é baseado na ignorância e na crença que só existe uma forma de fala correta. Nesse sentido, observa-se uma elitização da língua portuguesa e um rebaixamento dos outros falantes que utilizam diferentes dialetos. Apesar do Brasil conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda ser encontrado entre os países de maior diversidade linguística do mundo, com mais ou menos 200 línguas faladas.

Ademais, é fundamental apontar a inconsequente influência executada pelas mídias como impulsionador do problema. Nesse âmbito, no desenho “Turma da Mônica”, os personagens Cebolinha e Chico Bento em várias cenas são ridicularizados e alvos de piadas, desse modo sofrendo preconceito linguístico pelos seus vocabulários. Nessa lógica, os veículos de informação contribuem para a permanência e propagação dessa discriminação social na sociedade. Nesse contexto, ampliando as consequências,  entre elas a exclusão social, problemas com a sociabilidade e danos a saúde mental.

Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parceria com as mídias, realizarem campanhas publicitárias, por meio de anúncios transmitidos nos canais televisivos e mídias digitais, com o objetivo de explicar o que é a discriminação linguística e as consequências desta para as vítimas, a fim de diminuir o preconceito linguístico no Brasil. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.