Preconceito Linguístico

Enviada em 17/08/2021

Desde sua colonização, a língua portuguesa manifestada na nação brasileira sofre mudanças e adequações e — em decorrência de sua extensão continental — possui diferentes variantes, entre as regiões que a afastam da norma-padrão trazidas pelos primeiros portugueses. No entanto, mesmo sendo um país que abriga diversas culturas, o preconceito, em especial o linguístico, é uma questão muito atual no Brasil. Com efeito, é possível apontar a influência da sociedade como uma causa latente da problemática e que possibilita a exclusão social de uma notória fração da população. Nesse viés, a forte interferência de princípios discriminatórios na formação dos indivíduos representa obstáculo para a construção de uma comunidade benevolente. Sob essa perspectiva, em sua obra " A identidade cultural na pós-modernidade", Stuart Hall afirma que os princípios e a personalidade do ser são formados a partir da interação dele com o meio social. Dessa forma, consoante ao sociólogo, ocorre que os cidadãos — em especial as crianças, visto que estão em constante processo de desenvolvimento — são manipulados por ideais intolerantes e promovem a manutenção da disseminação deles, o que acentua ainda mais a conjuntura atual. Por consequinte, enquanto os brasileiros se mantiverem sob tal situação de influência, o Brasil continuará enfrentando um problema histórico: preconceito linguístico. Outrossim, a segregação de grupos cuja fala é distinta daquela considerada a certa precisa ser superada. A esse respeito, a vigésima primeira edição do reality “Big Brother Brasil” apresentou como um de seus participantes a nordestina Juliette Freire que, em função de seu sotaque e de seu linguajar, foi marginalizada por seus companheiros de programa. Desse modo, tendo em vista que esse exemplo de entretenimento serve como uma lente de aumento para a sociedade em questão, entende-se que a situação enfrentada pela paraibana deixa de ser um caso isolado, mas que retrata a realidade de muitas outras pessoas. Assim, o estigma associado à linguagem coloquial e regional desempenha o papel de escolher quem estará inserido coletivo e quem será isolado, o que intensifica ainda mais outros obstáculos sociais: a desigualdade socioeconômica. Portanto, o governo federal, em parceria com as escola — ambiente que permite um contato mais acessível com uma parte significativa da população —, deve articular políticas públicas. Assim, tais ações aconteceriam por meio de oficinas e rodas de conversas, em que seria explicado os fatores que levam à variação linguística e desenvolvidas atividades que sensibilizassem os estudantes e seus responsáveis a combater o preconceito linguístico. Essas iniciativas terão como finalidade tornar a minimizar a influência negativa da sociedade e a exclusão social de brasileiro. Com isso, o pluriculturalismo no Brasil se tornará uma característica positiva e prospera no país e não um meio para a prática de desrespeito.