Preconceito Linguístico

Enviada em 15/07/2021

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu criticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão do preconceito linguístico. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a ignorância social, bem como o papel que a mídia exerce nesse campo.

De início, cabe resaltar a tardia mudança de mentalidade social como entrave da conjuntura. Nesse viés, o poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade discorre sobre a língua culta e coloquial, fazendo referência às maneiras distintas de expressar uma mesma ideia; As variedades do uso da língua, também presentes no poema, são abordadas na educação secundária do Brasil, no entanto, é possível afirmar que essa abordagem não é realizada de maneira eficaz, uma vez que esse modo discriminatório é bastante recorrente no cotidiano, como os atos de bullying contra indivíduos que possuem sotaques diferentes e discriminação feita na internet quando um internauta pronúncia algo errado em um vídeo.

Outrossim, vale aludir que os meios de comunicação exercem uma grande influência sobre o comportamento da população. As telenovelas exibidas pelas emissoras de TV, como a Rede Globo, quando trazem a representação de personagem de determinadas regiões, como o nordeste, enfatizam uma linguagem extremamente errada e uma postura caricata, o que provoca risos no telespectador. Esse tipo de representação, além de generalizar todo um povo com base em alguns casos, corrobora para a disseminação do preconceito.

Em suma o preconceito linguístico está diretamente relacionado à exiguidade de medidas eficazes e à abordagem feito pelos meios midiáticos. Dessa maneira, a fim de atenuar esse transtorno, o Governo, por meio do Ministério da Educação, deve capacitar os professores, que atuam da rede de ensino e, aliado à esfera Municipal e Estadual do poder, fornecer o material necessário, como cartilhas e livros, para a promoção de palestras que possam alcançar toda a comunidade escolar. Ademais, a mídia, em parceria com o Ministério da Cultura, deve promover laboratórios teatrais com grupos de atores de diversas regiões, visando a alteração das regionalidades.