Preconceito Linguístico

Enviada em 20/07/2021

A Constituição federal de 1988 — lei federal e suprema do Brasil — dispõe em seu artigo 1º, a manutenção da cidadania e dignidade da pessoa humana como rudimentos do país. Desse modo, garantindo-se a dignidade da pessoa humana, estará fornecendo a isonomia social que a população, hoje, carece. Todavia, mesmo estando presente em normas, há de se destacar uma dificuldade enfrentada por essa parcela da sociedade: o preconceito linguístico. Com efeito, faz-se necessário repensar o papel do estado e das mídias sociais nessa conjuntura.

Diante desse cenário, cabe ressaltar a inabilidade estatal como preponderante ao se analisar a problemática. Em vista disso, Jacques Rousseau, iluminista do século XVII, elaborou o conceito de “contrato social”, um acordo entre indivíduos, em visão de um bem coletivo, ao se criar uma sociedade, isto é, um pacto de associação, e não submissão. Contudo, o direito previsto pela Carta Magna brasileira se torna um privilégio daqueles que dominam a norma culta brasileira: a alta sociedade. Desse modo, tais eventos são um tanto quanto contraditórios, uma vez onde o país marcado pelo multiculturalismo, o falar nativo ser usado como motivo de opressão.

Sob essa perspectiva, convém analisar a mídia mediante o conceito de “modernidade líquida”, Zygmunt Bauman. Seguindo o autor, devido ao sistema de trocas cujo mundo está inserido, os princípios da sociedade, pelos interesses pessoais, se parecem cada vez mais como uma ação em uma bolsa de valores: em constante fluidez. Nesse viés, pode-se associar o papel da mídia na perpetuação dessa problemática, uma vez que, historicamente, ela é fomentadora da inclusão e exclusão social, no entanto, permanece inerte, oferecendo conteúdos que objetificam a demanda de rápida assimilação, como os estereótipos exagerados em relação a comportamentos e o linguajar, contribuindo para uma mentalidade simplista. Nessa lógica, é substancial a ação desses atores sociais, para, urgentemente, haver uma mudança nesse quadro.

Depreende-se, portanto, que esse tipo de discriminação precisa de uma postura estatal mais severa. Posto isso o Governo Federal — como instância máxima do executivo — deve promover produtos televisivos que estabeleçam o diálogo sobre esse preconceito. Tais medidas podem ser feitas por parcerias público-privadas com redes de televisão aberta, com a finalidade de ter a língua, enfim, um motivo de orgulho.