Preconceito Linguístico

Enviada em 21/07/2021

O Modernismo iniciou-se em 1922 com a semana da arte moderna. Tal período literário rompeu com o padrão cultista dos valores linguísticos, dado que o coloquialismo e a variedade informal começaram a ser prestigiados nesse momento. Nesse contexto, é evidente que o preconceito linguístico é um problema para a sociedade porque negligencia os variados valores culturais para a sobreposição de um modelo padrão e, também, influência para agravar a diferenciação e dominação social.                           Primeiramente, o preconceito linguístico é uma adversidade pois ele desqualifica as variedades falantes perante a norma culta, uma vez que os valores tradicionais e o multiculturalismo também são rejeitados para a padronização de um sistema “ideal”, ocasionando em perdas de culturas. Posto isso, em comparação com o século XV, com o eurocentrismo e a sua imposição de valores no novo território plurilinguístico, muitas culturas, línguas e tradições indígenas foram extintas para suprir o modelo europeu, isto é, torna-se análogo aos dias atuais, quando a norma culta é hierarquizada. Dessa forma, fica evidente que a padronização de um modelo vigente corrobora para um descaso cultural.

Ademais, o preconceito linguístico influencia para uma dominação social e, consequentemente, diferenciação de classes, haja vista que a linguagem é uma maneira de domínio e controle sobre determinados padrões socias. Com efeito, o filósofo Michel Foucault em sua obra Microfísica do Poder, afirma que a língua é uma das formas de exercer dominação e poder sobre os indivíduos, ou seja, a norma de linguagem dominante é a da classe que detém o poder controlador, sendo ela preponderantes nos meios de convívios sociais.

Portanto, fica claro que o preconceito linguístico é um problema para a sociedade, dado que ele corrobora para as perdas e o descaso com a variação cultural, como também, usado para sobreposição de hierarquias sociais. Por conseguinte, as escolas e o Ministério da Cultura devem estimular a aceitação das variantes linguísticas e culturais, por meio de aulas e materiais que visam a alteridade e ampliação do repertório linguístico brasileiro. Para que, ao longo do tempo, a sociedade valorize as diferentes maneiras de expressão cultural, assim como fazia os modernistas no século XX.