Preconceito Linguístico
Enviada em 27/07/2021
A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante respeito à diversidade linguística. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, e o preconceito é algo recorrente. Sob essa ótica, a inoperância escolar no ensino das diversas línguas, bem como o estereótipo criado pela sociedade, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social.
A princípio, é fundamental ressaltar a negligência do setor educacional no ensino das variantes linguísticas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, há mais de 200 línguas faladas no Brasil, sendo Libras a segunda língua oficial. Entretanto, as grades curriculares tendem a ensinar a norma culta, desse modo, os discentes começas a achar que a gramática normativa é a única forma de falar. Nesse viés, surge o preconceito e a discriminação com as pessoas que não usam a forma padrão.
Ademais, convém salientar que existe uma imagem criada na sociedade a respeito da diversidade linguística. Nesse aspecto, de acordo com o escritor Orlando Villas Boas, em sua obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, as pessoas excluem outras do seu ciclo de amizade por conta das divergências na linguagem, além de rotular alguns de matutos e apelidos pejorativos. Evidencia-se, nesse contexto, que é preciso aprender a conviver com as diferenças e dirimir os estereótipos formados, pois esses não favorecem com a convivência harmônica e respeitosa.
Infere-se, portanto, que medidas necessitam ser tomadas para resolver esses impasses e cumprir com as garantias constitucionais. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima da esfera educacional, inserir disciplinas que ensinem sobre as variantes linguística, ressaltando a importância de cada uma, por meio de palestras, debates, além de fornecer aulas de Libras de forma obrigatória, para que a norma culta não seja ensinada como única, embora também seja fundamental. Assim, os alunos aprenderão desde cedo sobre a diversidade e o respeito às diferenças.