Preconceito Linguístico
Enviada em 24/08/2021
Fernando Pessoa foi um dos grandes escritores da literatura modernista, conhecido por sua capacidade de criar heterônimos. Nesse sentido, através de diferentes padrões de escrita, o autor apresenta as variações que a língua portuguesa tem em diversos ambientes. Da mesma forma, no Brasil, é preciso normalizar as variações linguísticas regionais, uma vez que a grande extensão territorial do país propicia pluralidades e não são todos os que tem acesso à educação para seguir a norma padrão da língua portuguesa.
É importante ressaltar, primeiramente, que o Brasil é um dos maiores países do mundo em extensão e, assim, deve-se entender que quanto maior um local, mais suscetível ele está a regionalidades, pois uma dispersão maior propicia hábitos específicos. Nesse sentido, segundo o professor Evanildo Bechara, um dos maiores combatentes do preconceito linguístico no Brasil, a língua portuguesa deve ser estudada em todos os âmbitos, valorizando suas variações tanto na escrita quanto na fala, pois é acolhendo as pluralidades que os estudiosos se tornam “Poliglotas da própria língua” e tem a capacidade de se comunicar nas mais diversas regiões de um mesmo país.
Atrelada a esta perspectiva geográfica, faz-se preocupante o preconceito linguístico no país uma vez que se exige uma norma padrão orográfica para uma população que carece de educação. Posto que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2019, 11 milhões de brasileiros ainda não foram ensinados a ao menos ler e escrever, é totalmente improvável que todos tenham o mesmo nível de educação a ponto de seguirem um padrão linguístico. Fernando Pessoa entendia as pluralidades de uma população marcada por desigualdades sociais, mas representava em seus textos as variações sem preconceito algum, pois buscava ressaltar a beleza de uma língua viva, mostrando que o acesso a educação não o fazia superior.
Observa-se, portanto, que o preconceito linguístico deve acabar, pois pluralidades sempre acontecerão em uma sociedade geograficamente e culturalmente distinta. Assim, propostas são necessárias a fim de promover o conhecimento sobre a língua portuguesa. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação, por intermédio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), deve incluir desde o ensino básico, leituras de textos e exercícios que expliquem sobre a formação da língua portuguesa e suas variações, ensinando tanto a parte gramatical da norma padrão orográfica, quanto o léxico de outras regiões. Com o intuito assim de que a população seja alfabetizada para se tornar “poliglota da própria língua” e assim acabar com preconceitos.