Preconceito Linguístico
Enviada em 10/08/2021
No filme “Cabra da Peste”, divulgado pela Netflix, um policial nordestino é enviado para cidade grande atrás de uma cabra, a qual havia sido sequestrada. Quando chegou na cidade, o policial, ao tentar falar com um estranho, foi alvo de sorrisos e risadas pelo seu modo de falar. Fora da ficção, é perceptível que, de maneira cômica, o filme aborda um tema muito atual na socidade, o preconceito linguístico. Esse tema está cada vez mais comum não apenas por conta da globalização, a qual conecta pessoas de localidades e dicções diferentes, mas também pelo fato de conversar com pessoas e elas não saberem o mínimo da norma culta padrão. Outrossim, deve-se entender que o etnocentrismo junto ao preconceito gramatical e a falta de bases educacionais são os obstáculos que dão prosseguimento ao problema citado.
Em primeira análise, entender que o preconceito linguístico não é pelo modo como se fala, mas sim por considerar essa fala “pior” que as demais, é de suma importância. Segundo Milton Santos, geógrafo e escritor, existem três faces da globalização, contudo apenas uma delas prepondera, a face perversa. Essa premissa de Santos é confirmada ao se tratar, por exemplo, do preconceito linguístico internacional, pois, na medida que um mesmo dispositvo de comunicação conecta nações diferentes, um sentimento de superioridade é trasmitido, conhecido como o etnocentrismo, tese que tange a língua do país. Em conclusão, o etncocentrismo é a ideia de ser superior, quando um país tenta falar a língua do outro, um sentimento de superioridade, em relação aos nativos, nasce, florescendo o preconceito.
Ademais, uma segunda vertente do tema é o preconceito intranacional, o qual tange não apenas difentes regiões mas também exclusões gramaticais. Dessa maneira, cabe ressaltar que o preconceito entre regiões se caracteriza pelo mesmo fator do internacional, o etnocentrismo, porém, no caso da gramática, o tema é ainda pior. Segundo um dado interessante do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 40% dos brasileiros não terminaram a escola, logo, não são letrados com grande exelência, gerando aí um preconceito ou exclusão de quem não trm as bases linguísticas. Em suma, o problema da educação sucateada gera outros fatores, como o tema citado.
Dessarte, em vista dos fatos supracitados, é clara a necessidade de intervenção. Para que se diminua o preconceito linguístico, urge ao Ministério da Educação e da Cultura promover maiores investimentos na área da educação, por meio de escolas e centros de conhecimento. Trazendo profissionais competentes não só aa área do letramento gramatical, mas também na questão sociológica do preconceito em ambas as vertentes, intra e internacional. Dessa modo, espera-se que amenize a exclusão, os sorrisos e as risadas que no filme “Cabra da Peste” aconteciam o nordestino.