Preconceito Linguístico
Enviada em 13/08/2021
É comum, no dia a dia, deparar-se com piadas, postagens na internet e deslegitimação de discursos alheios cujo fundamento é o deboche de pessoas que não fazem o uso da norma padrão ou têm sotaque. Porém, poucos sabem que a zombaria é consequência do preconceito linguístico, o qual não só é irracional considerando a própria língua portuguesa, como também deriva do preconceito social, o reforçando.
Primeiramente, é errado considerar a língua portuguesa sua norma culta. A língua engloba muitos outros aspectos, e inclusive precede a as regras gramaticais conhecidas como o “português correto”. Além disso, a língua é um organismo vivo, o qual está em constante mudança. Um exemplo é a palavra “você”, que se originou de graduais abreviações de “vossa mercê”. Essa mudança foi mais um caso no qual uma expressão começa a ser usada pelas camadas populares da sociedade, mas só depois de aderida e oficializada pelas camadas dominantes, passa a ser valorizada. Esse evento é explicado por Marcos Bagno em seu livro “Preconceito Linguístico”.
Ademais, a análise do professor e escritor leva a outra reflexão: o preconceito linguístico é sobre quem se fala, não o que se fala. Isso pode ser reconhecido ao observar que a língua mais difamada provém de pessoas pobres que não tiveram oportunidade de estudo ou que absorveram expressões comuns do seu meio e de pessoas com sotaques de regiões mais carentes do Brasil, como o Nordeste. O preconceito pode resultar em coisas mais sérias, como exclusão do mercado de trabalho e silenciamento de suas reinvidicações sociais, mantendo-as num ciclo de pobreza.
Sendo assim, o preconceito linguístico é um problema social sério mantido pela ignorância de quem o adota e pela elitização, e que precisa ser combatido. Uma maneira é informar a população através de aulas implementadas pelo governo e por instituições de educação privadas. Somente assim, a sociedade se tornará mais receptiva a outras formas de falar.