Preconceito Linguístico
Enviada em 15/08/2021
Segundo a ativista norte-americana Helen Keller, “Não há barreiras que o ser humano não possa transpor.” A observação feita por Keller, se trazida para o contexto nacional, enquadra-se na questão do preconceito linguístico, que persiste em constituir uma barreira ao convívio harmonioso entre falares diferentes, embora ela seja transponível. Em vista disso, cabe combater essa discriminação, que possui como bases a carência de legislação e debate referentes ao assunto.
Em primeira análise, precisa-se apontar a lacuna legislativa que dificulta a superação do impasse. Segundo o filósofo italiano Umberto Eco, “Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável.” Isso implica dizer que, como não há legislação adequada, ou seja, limites impostos à intolerância linguística, também não haverá respeito aos diferentes modos de falar e se comunicar. Por conseguinte, o preconceito linguístico persiste em prejudicar a riqueza cultural do Brasil no que tange à diversidade linguística, pois os falares considerados subalternos, como o nordestino, seguem oprimidos.
Ademais, percebe-se que a falta de debate contribui para a irresolução do problema no Brasil. O filósofo e sociólogo alemão Habermas defendeu que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Portanto, infere-se que discutir sobre um desafio colabora para a sua resolução. Contudo, nota-se que, embora ele seja atuante na sociedade brasileira, pouco se discute sobre o preconceito linguístico nas mídias de massa e, como consequência desse silenciamento, não são postas em prática ações que visem erradicar essa forma de discriminação. Assim, o problema persiste no país.
Portanto, é necessário combater esses obstáculos. Para isso, cabe às comissões da Câmara e do Senado a criação de projetos de lei que contemplem a questão do preconceito linguístico, em parceria com consultas públicas por meio das redes sociais, que são meios de comunicação em massa com enorme alcance, para que esse problema não só ganhe respaldo legal, mas também o faça de forma consciente por parte da população. Dessa maneira, haverá maior debate sobre o tema e a barreira discriminatória imposta pelo preconceito linguístico será transposta, em conformidade com a máxima de Helen Keller.