Preconceito Linguístico
Enviada em 13/08/2021
Com a colonização brasileira, a partir do século XVI, a língua tupi mesclou-se a língua portuguesa colonizadora originando um novo idioma: a língua-brasílica. Amplamente utilizada em todo território, foi apenas no século XVIII que seu uso declinou, a partir da proibição decretada por Marquês de Pombal, que oficializou o português normativo como única língua do Brasil. Comparativamente, tantos anos depois, a discriminação com a variedade de falas no território nacional ainda é extremamente presente e caracteriza um sério problema a ser enfrentado: o preconceito linguístico. Nesse sentido, a supervalorização da norma-padrão faz da língua um instrumento de dominação, o que perpetua este problema.
É importante analisar, primeiramente, que o enaltecimento da norma culta, feito pelos meios midiáticos e pelas instituições educacionais, favorece o pensamento social de que existe apenas uma maneira correta de se expressar: aquela que segue, rigorosamente, as regras gramaticais. Dessa forma, é na realidade incoerente exigir que, em um país continental, de muitas regiões e culturas, haja uma homogeneidade da língua - o que ignora a formação híbrida da nação e, também, os distúrbios de fala - quando, ao invés disso, deveria prevalecer a ideia de que o importante é o entendimento e a compreensão da mensagem partilhada entre emissor e receptor.
Além disso, faz-se relevante observar que, muitas vezes, valorizar a norma padrão em detrimento de outros falares cria um ambiente de hierarquia linguística, que promove um mecanismo de dominação social. À vista disso, permanecer com tal crença promove a marginalização e a ridicularização de grupos sociais, fato que pode ser percebido, por exemplo, nas telenovelas brasileiras em que, geralmente, a população nordestina é desmoralizada com representações discriminatórias do seu dialeto, de forma a parecerem “ignorantes”.
Portanto, é inconcebível que a sociedade verde e amarela continue perpetuando o preconceito linguístico em seu cotidiano. Por isso, é fundamental que o Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, coloque em vigor a campanha “Falares do Brasil”, com a finalidade de reduzir a discriminação e divulgar a importância da liberdade de dialeto. Por esse motivo, o tema deverá ser implementado na BNCC, estando presente desde as séries iniciais para promover o debate em sala de aula e a conscientização das crianças e jovens. Outrossim, a campanha deverá garantir o direito das vítimas e sua proteção, o que será feito por meio da criação de leis específicas. Somente assim superaremos, enfim, exemplos tão tristes como o de Pombal e escreveremos uma história de inclusão e pluralidade.