Preconceito Linguístico

Enviada em 15/08/2021

Manoel Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática do preconceito linguístico. Nesse sentido, afim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.

Mormente, deve-se ressaltar o desmazelo do Governo para combater o preconceito relacionado ao sotaque levando à disseminação do assédio linguístico na sociedade. Nessa conjuntura, segundo o Contrato Social, proferido pelo filósofo John Locke, cabe ao Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar coletivo. Entretando, na medida em que existam pessoas, no Brasil, vivendo em situações de constrangimento pelo simples ato de falar, sem o mínimo de direitos sociais efetivados, como o direito à igualdade, há uma falha grotesca da função do Poder Público com o Contrato Lockeano. Como consequência disso, uma parcela de brasileiros que expressa sua forma de falar singular, fica à margem da sociedade, convivendo com constragimento e repressão que degradam a dignidade humana. Dessa forma, é necessário que o Contrato Social seja cumprido, a partir de medidas governamentais.

Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada. O intitulado “Paradoxo da Moral” é um livro escrito pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se que o preconceito linguítico encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorrre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação desse estorvo, pelo contrário, ela adquire uma posição individualista por não mensurar as consequências e impactos que podem gerar em um indivíduo repreendido por sua maneira de falar como transtornos psicológicos e dificuldades para sociabilizar. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, que medidas são necessária para atenuar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação deve promover um série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto e que tenham os alunos do ensino médio como público-alvo.  Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério no formato de “Live”, a fim de trazer mais clareza à respeito do preconceito linguístico e atingir um maior público. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela infiltração do elementos elencados na Magna Carta.