Preconceito Linguístico

Enviada em 31/08/2021

Na primeira fase do Modernismo, escola literária, os autores usavam, em suas obras, uma linguagem regionalista e diferenciada pela coloquialidade e pelas marcas de oralidade, assim, exaltava a variedade linguística da época. Todavia, tal estima pela riqueza da fala não é mais compartilhada pelo tecido social, haja vista o vigente preconceito contra a linguagem influenciada pelo grau de escolaridade ou pelas regiões brasileiras. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar o poder do dialeto sob a sociedade e os impactos da sua censura.

Precipuamente, é perceptível que, assim como no período colonial a língua portuguesa foi imposta aos indígenas e africanos para efetivar a soberania da coroa, o dialeto ainda é usado como ferramenta de dominação cultural. Dessa forma, reprimir ou sufocar uma variedade linguística é o mesmo de ridicularizar as raízes e a cultura de um grupo. Com efeito, Pierre Bourdiel, filósofo francês, cria o conceito “capital cultural” para se referir a supervalorização da cultura erudita, a qual usa um linguajar culto e dentro da norma, em detrimento da cultura popular de regiões e classes mais pobres. De forma símile, no Brasil, civis nordestinos, nortistas ou moradores de favelas sofrem mais com estereótipos e preconceitos por terem uma origem mais simples comparada com as grandes metrópoles do sudeste.

Outrossim, o assédio linguístico é uma forma de violência velada e de xenofobia, visto que constrange e diminui o indivíduo com valores e costumes diferentes. Contudo, o preconceito linguístico é pouco questionado e identificado, isso porque usa a liberdade de expressão para emitir opiniões depreciativas e pejorativas. Sob esse viés, filósofos, tais como John Stuart, utilitarista, e Montesquieu, iluminista, afirmam que o cidadão é livre para fazer o que quiser, desde que não prejudique os demais. Por conseguinte, depreende-se que os direitos de um civil terminam quando começam os do outro, logo, ao ferir a integridade cultural de alguém, o cidadão deixa de exercer a plena liberdade e passa a praticar uma violência: o assédio linguístico.

Infere-se, portanto, que a valorização da linguagem proposta pelo Modernismo deve ser resgatada, para tanto, o Ministério da Educação deve criar um dia voltado para a valorização da linguagem nas escolas, por meio da petição de subsídios ao Tribunal de Contas da União. Desse modo, as instituições de ensino deve organizar palestras, as quais falariam sobre o poder de dominação da linguagem, sua utilização para reprimir grupos sociais e os estereótipos atrelados a isso, e teatros sobre o tema. Ademais, a Câmara Legislativa tem a responsabilidade de efetivar as leis contra discriminação, mediante a criação de uma multa em quem pratica preconceito linguístico. Dessarte, espera-se promover a exaltação da variedade linguística no Brasil.