Preconceito Linguístico
Enviada em 03/09/2021
Na obra cinematográfica de comédia “A Família Buscapé”, de Penelope Spheeris, uma família do interior adquire uma riqueza inesperada e passa a viver em meio a alta sociedade, isso gera diversos momentos onde a disparidade gramatical é clara. Disparidade essa que é acentuada pela dublagem brasileira, que escolheu atribuir aos personagens o sotaque do interior de São Paulo, desta forma a própria ação de vincular tais maneirismos a pessoas cujo as ações são pautadas na falta de inteligência e senso comum tem suas raízes no preconceito linguístico, reforça o estereótipo pejorativo que assola os falantes de uma vertente da língua portuguesa e reitera a crença na existência de uma língua “correta”. Em primeira instância, é de suma importância apontar a relação desses estereótipos a certos sotaques e o quanto eles são perpetuados pela mídia, aqui no Brasil, diversas obras midiáticas de comédia sustentam como artifício de escrita o preconceito linguístico. Podemos ver isso no programa “a praça é nossa” onde o personagem “paulinho gogó" com o sotaque carioca carregado é representado como um sujeito malandro, pagodeiro e fanfarrão, seu principal bordão “quem não tem dinheiro, conta história” é ecoado na casa de milhares de brasileiros toda semana, assim é atrelada a índole ao sotaque que vira piada entre vários. Por conseguinte, o ato do não reconhecimento dos maneirismos como uma forma válida de se expressar uma ideia cria a falácia de que há uma língua “correta” no português brasileiro. Língua essa que é ensinada nas escolas e utilizada nos grandes centros econômicos, isso marginaliza a minoria e a isola de oportunidades, como visto no BBB 21, onde a participante Juliete foi isolada pela maioria, por ser minoria em seu jeito de falar, esse exemplo é uma mera representação em menor escala da realidade vivida por muitos brasileiros. Portanto, em vista dos problemas apresentados, é indispensável que a academia brasileira de letras que regulamenta a língua portuguesa, promova o reconhecimento de gírias e maneirismos como formas também corretas de se comunicar através da publicação de uma nova edição do vocabulário ortográfico da língua portuguesa, essa medida diminuiria o preconceito entre sotaques ao aumentar a utilização de gírias regionais pela maioria por conterem significado rico, serem reconhecidas como maneiras corretas de se falar e transmitirem uma ideia específica, sendo assim, encerrando o capítulo de representatividade pejorativa como em “A Família Buscapé” e iniciando um novo, onde a riqueza de expressão é valorizada ao se comunicar