Preconceito Linguístico

Enviada em 04/09/2021

O Modernismo brasileiro, iniciado em 1922, tinha como suas principais características a valorização da língua nativa falada e a crítica à formalidade exacerbada utilizada em movimentos literários anteriores, como o Parnasianismo. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão do preconceito linguístico, no qual a linguagem torna-se instrumento de exclusão social. Dessa forma, esse cenário nefasto ocorre não só em razão do preconceito social, mas também devido à educação deficitária. Assim, torna-se fundamental a superação desse desafio, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro plano, o pensamento coletivo é responsável pela complexidade do problema. Nesse sentido, conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que assédio linguístico é fortemente influenciado pelo pensamento em grupo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social calcado na ética excludente ,autoritário, intolerante e repressivo ,o qual, impera na ideologia geradora do preconceito linguístico, a tendência é adotar esse comportamento também. Logo, faz-se mister a reformulação dessa inaceitável e perversa postura da sociedade, de forma urgente.

Além disso, é importante destacar o papel que a própria educação tem em disseminar, implicitamente, certos preconceitos linguísticos, fazendo um caminho contrário ao qual ela deveria traçar. Nesse viés, em sua obra “Preconceito Linguístico” Marcos Bagno afirma que o ensino da norma padrão da língua portuguesa nas escolas é um “mito”, posto que esse aprendizado exclui todas as outras línguas faladas no Brasil, criando um idealismo linguístico e cultural que não é aplicável na prática. Desse modo, os cidadãos crescem com a mentalidade de que a língua formal e única, superior e correta, banalizando e repudiando todos os outros dialetos existentes no Brasil. Assim, as escolas devem, urgentemente, realizar reformas no que diz respeito ao ensino linguístico.

Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, o Ministério da Educação deve desenvolver palestras nas escolas, sobre a importância do respeito às diversidades linguísticas existentes, por meio de entrevistas com vítimas de preconceito e xenofobia e psicólogos especialistas no assunto. Ademais, podem ser ofertadas dinâmicas e dramatizações sobre como a opressão e estereotipização são nocivas aos indivíduos, a fim de trazer ao povo brasileiro mais lucidez e tolerância sobre as pluralidades, promovendo a integração plena desses cidadãos. Paralelamente, cabe ao poder público ratificar leis que criminalizem o preconceito linguístico. Por conseguinte, as premissas do modernismo brasileiro estarão vigentes na atualidade.