Preconceito Linguístico
Enviada em 10/09/2021
Durante o período colonial, a língua mais usada no Brasil foi a “língua geral” baseada no tupi antigo. Contudo, o ensino em qualquer língua que não fosse o português foi proibido, e a língua geral foi extinta. Esse fato evidencia a imposição de uma língua considerada homogênea que acarreta, hoje, no preconceito linguístico. Diante disso, torna-se passivo de discussão as consequências geradas pelas diferenças no falar do brasileiro e a análise da problemática como um preconceito social.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, embora todos os brasileiros sejam falantes da Língua Portuguesa, ela apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Isso significa, que a linguagem está em constante transformação, e os responsáveis pelas mudanças são os próprios falantes, independente de classe social ou nível de escolaridade. Decerto, essas variações visam à comunicação,sendo assim,jamais devemos considerá-las erros. Nesse sentido, não se deve desconsiderar a gramática normativa e suas regras, já que ela serve como base para o sustento do idioma, mas sim admitir que todas as variações são inerentes à língua.
Além disso, a mídia evidencia prejulgamentos, na medida que mostra em personagens de telenovelas imagens distorcidas de regionalidades, como também eleva outras. Os nordestinos, por exemplo, são encenados como pessoas grossas de sotaque forçado e tidas quase sempre como matutas ou atrasadas. Conforme Marcos Bagno a ideia do português correto é inexistente, a partir do momento que linguagem cumpre sua função comunicativa ela não pode ser considerada um erro. Outrossim, Camões, um ícone literário, usava termos como “Frauta” em seu ilustre poema “Os Lusíadas”, todavia, atualmente, tal desvio é visto por muitos como desconhecimento e não como uma licença poética.
É evidente, portanto, que essa intolerância precisa ser cremada em âmbito nacional. Logo, cabe ao Ministério da Educação, comunicar aos educadores através de reuniões e frases explícitas nos livros dos professores, que correções acerca da forma de falar são inadmissíveis. Ademais, é papel das ongs e escolas coibir por meio de palestras a ideia de que existe uma única forma de se expressar, além disso uma boa alternativa é gravar estas a fim de divulga-las em redes sociais com intuito de aumentar o público-alvo. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação. ”