Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2021

Conforme as normas da língua portuguesa, não existe, necessariamente, uma maneira legitimamente correta de se pronunciar o português no Brasil, e que, dessa forma, têm-se diversas versatilidades na língua. Em contrapartida, a mentalidade de reprovação às variantes linguísticas de menor prestígio social é apercebida com frequência na sociedade. Sob essa análise, torna-se urgente a discussão sobre o preconceito linguístico, o qual principal manifestação é a xenofobia, e o preconceito socioeconômico causado por tal reprovação.

Em primeira instância, são comuns casos de indivíduos que ocupam regiões mais favorecidas manifestarem algum modelo de aversão ao sotaque ou aos regionalismos típicos de áreas indigentes. No reality show “Big Brother Brasil”, uma participante nordestina Juliette Freire foi vítima de tal intolerância e sofreu diversas críticas e chacotas sobre o seu sotaque e as gírias de sua região. Diante desse aspecto, é possível perceber que muitas pessoas ao acreditarem haver uma maneira “precisa” de se pronunciar o português, acabam desmoralizando a cultura de outras partes do Brasil, causando de forma indireta o devaneio de que aja um jeito determinado da fala, sendo que não há.

De forma adicional, a perpetuação de esteriótipos criados apenas pelo modo “diferente” de falar — uso de gírias e variedades linguísticas de menos prestígio — faz com que um campo preconceituoso se origine em ambientes profissionais. No hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra, um médico plantonista foi afastado do trabalho após ter caçoado de seu paciente publicando em uma rede social uma foto do receituário com o seguinte dizer: “Não existe peleumonia e nem raôxis”. Sob essa ótica, é plausível observar a aversão do profissional da saúde em relação ao modo de se comunicar de seu paciente, que, possivelmente, tenha tido um acesso limitado à educação. Tal fato fez com que o médico acreditasse ter motivos para se sentir “superior” ao seu paciente e compartilhar o jeito “certo e errado” das palavras pneumonia e raio-X.

Portanto, é dever das escolas — principal meio de instrução educacional — ensinar e valorizar as variantes linguísticas através das aulas de português e literatura, para que assim, os estudantes, desde jovens, compreendam que a linguagem é parte constituinte da nossa manifestação cultural e que não há uma maneira correta de se pronunciar tal fala. Ademais, a mídia — instrumento de ampla abrangência — deve desconstruir as visões estereotipadas sobre o uso linguístico diversificado por meio da criação de programas televisivos, para que assim mais indivíduos estejam conscientes sobre a diversidade linguística social, regional e cultural.