Preconceito Linguístico

Enviada em 26/10/2021

No filme brasileiro “Que horas ela volta?”, é retratada a rotina de uma empregada doméstica em busca de melhores condições. Nela, a personagem principal e sua filha lidam diariamente com o preconceito linguístico de seu empregador. Isso posto, infelizmente, a realidade brasileira não destoa da ficção apresentada, tendo em vista o exuberante número de ocorrências de segregação por padrões linguísticos. Por conseguinte, com um processo histórico seletivo, impulsionado pela falta de consciência social, tornam-se visíveis os diversos problemas estruturais contemporâneos.

Em primeira análise, tem-se noção do histórico processo de segregação de camadas de menor renda. Isto é, desde a colonização, em que apenas as elites agroexportadoras tinham acesso à direitos básicos, como a educação. Ou seja, o país comandado por uma parcela da população, a qual rege em benefício próprio. Entretanto, a diferença de condições de vida gerou diversos fatores separatistas, como o uso da norma padrão da língua por pessoas com maior acesso à educação e consequentemente melhores condições financeiras, que impulsionou a criação de um novo preconceito: o linguístico. Tal fato é um grande problema, pois além de ser um fator de diferenciação econômica, não leva em consideração as diferentes variações da língua portuguesa, como faixa etária, região demográfica e tempo histórico.            Contudo, nessa perspectiva, cabe ressaltar que as consequências do preconceito linguístico geram uma exacerbada preocupação. Isto é, a exclusão e ridicularização por variação linguística, assim como qualquer preconceito, sem ajuda profissional pode resultar em diversos problemas mentais, físicos e psicológicos. Ademais, o preconceito pode influenciar diretamente a vida laboral do indivíduo, pois muitas vezes são excluídos por estereótipos ou pensamentos retrógrados de menor aptidão. Isso posto, é notório a carência de medidas de inclusão social, campanhas conscientizadoras e preparo emocional.       Portanto, é preciso que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. O Ministério da Educação deve contratar psicólogos para atuarem em escolas por meio de um projeto de lei entregue à Câmara de Deputados. Nele, deve constar que contrata-se profissionais da área visando uma maior conscientização e prevenção por meio de conversas, palestras e debates. Além disso, para o contatado, oferta-se o auxílio de meio salário mínimo adicionado a renda mensal. Espera-se, com esta medida, que o preconceito linguístico no Brasil seja diminuído desde os seus princípios.