Preconceito Linguístico

Enviada em 11/11/2021

A obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, do professor e escritor Marcos Bagno, aborda o fato desse tipo de discriminação derivar, principalmente, da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual, que consideram como erro e, consequentemente, reprovável tudo que se diferencie desse modelo considerado padrão. Sob essa ótica, a fim de mitigar esse preconceito, é crucial avaliar as causas atreladas a este descaso para com as diferentes características linguísticas no Brasil, sobretudo devido a antigos comportamentos e a maldade humana.

Em primeiro plano, é indubitável que esta problemática não é algo que surgiu atualmente no país, mas que perdura desde o século XVI. O escritor Sergio Buarque de Holanda, no seu livro “Raízes do Brasil”, retrata inúmeras dificuldades contemporâneas surgiram no início da colonização brasileira e ainda permanecem no imaginário social; uma delas é o preconceito linguístico, sobretudo com os indígenas, pois eram considerados inferiores pelos portugueses devido à forma como falavam. Nesse sentido, essa visão retrógrada fortemente enraizada permite que a linguagem deixe de ser instrumento de comunicação para se tornar uma ferramenta de opressão.

Além disso, o preconceito linguístico é uma das formas de discriminação mais veladas - não é pauta muito discutida como o preconceito racial ou a homofobia, por exemplo – e a sociedade brasileira perpetua diariamente essa aversão, mais perceptível em dois âmbitos: regional e socioeconômico. Nesse caso, a xenofobia, principalmente a ridicularização de sotaques nordestinos, é uma das mais notórias e já se tornou, infelizmente, algo cotidiano e banalizado. Outrossim, é bastante comum classificar a linguagem coloquial como um erro, sobretudo quando utilizada por pessoas com baixo poder aquisitivo e pouco conhecimento acerca da variedade padrão gramatical. Nessa perspectiva, não existe língua ou variação inferior ou superior à outra, pois elas foram criadas com a função de comunicabilidade, logo, desde que a mensagem seja compreendida, seu papel foi plenamente cumprido.

Portanto, o conjunto desses fatores evidencia a necessidade de uma mudança nesse comportamento social. Neste viés, é mister que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) tem a função de desconstruir esta visão preconceituosa a longo prazo por meio das instituições de ensino, exigindo a abordagem desse tema nas aulas de língua portuguesa, com o intuito de quebrar essa corrente histórica de que o diferente é errado. Ademais, com o intuito de promover uma melhora a curto prazo, o governo de esfera federal deve intensificar as fiscalizações e configurar como crime qualquer manifestação de preconceito linguístico, seja no ambiente virtual ou real.