Preconceito Linguístico
Enviada em 17/09/2021
No livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, a personagem Macabéa é uma nordestina que sofre preconceito por não conseguir falar a norma culta da língua portuguesa. Fora dos livros, o preconceito linguístico no Brasil é bastante prejudicial e afeta principalmente as pessoas com menor escolaridade e que possuem variantes regionais da língua. Sendo problemático porque causa a segregação e constrangimento a essas pessoas.
Nesse contexto, deve-se levar em consideração a segregação causada. Isso é comprovado no livro “Microfísica do Poder” de Michel Foucault, que afirma que a língua é um instrumento de dominação e quando humilha-se um falante, humilha-se um grupo. Tal grupo pode ser interpretado como o de pessoas que não conseguem falar a norma culta, sendo o resultado de um nível baixo de escolaridade e, consequentemente, um grupo socioeconomicamente desprestigiado. Assim, o preconceito linguístico reforça ainda mais a segregação causada pelas desigualdades sociais, como no caso de Macabéa, que não pôde estudar e sofria discriminação no seu ambiente de trabalho.
Outrossim, também deve-se levar em consideração o constrangimento causado. A mídia tem um papel importante nisso quando faz uma representação ridicularizadora de variantes regionais da língua, como, por exemplo, os nordestinos, que muitas vezes são representados como ignorantes e, assim, constrange as pessoas que falam da mesma forma. Um outro exemplo foi o caso do médico Guilherme Capel, que ridicularizou a forma de falar do seu paciente, um mecânico que não teve a oportunidade de estudar, nas redes sociais, que sentiu-se oprimido ao descobrir sobre o feito do médico. Logo, isso causa constrangimento e inferioriza quem não pode falar a norma padrão da língua portuguesa.
Portanto, fica claro o quão o preconceito linguístico causa a segregação e o constrangimento. Sob esse viés, é preciso que o Ministério da Educação juntamente com a Secretaria da Comunicação crie uma campanha por meio da televisão aberta que mostre a importância da diversidade linguística do Brasil, mostrando pessoas de diversos sotaques e variedades linguísticas de todas as regiões do Brasil, até mesmo aquelas pessoas que não falam a norma padrão, finalizando com a frase “variedade linguística, respeite!’, para que as pessoas se conscientizem. Assim, o preconceito vivido por Macabéa ficará apenas nos livros.