Preconceito Linguístico

Enviada em 20/09/2021

A Constituição Federal em 3° artigo assegura o bem estar de todos, sem preconceitos de raça, cor, sexo, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Todavia, tal prerrogativa não tem se manifestado de forma eficaz, quando se observa o preconceito linguístico no contexto brasileiro, uma vez que não é incomum, na sociedade, a aversão a pessoas com sotaques diferentes, principalmente com a pronúncia do povo nordestino. Nesse sentido, urge analisar as causas, as consequências e desenvolver estratégias concretas para reverter esse cenário.

Nesse viés, é necessário pontuar que a falha na base educacional influencia a discriminação da pluralidade linguística. Sob essa perspectiva, entra em foco o pensamento do teólogo brasileiro Rubens Alves, o qual defende que as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, isto é, podem proporcionar voos ou condição de alienação. Nessa situação, os colégios funcionam semelhantes a gaiolas, isso porque ao abordarem matérias como a língua portuguesa, essas instituições dão preferência a assuntos mais conteudistas, por exemplo área da gramática, porém elas negligenciam conhecimentos como os dialetos existentes no Brasil. Assim, o ambiente educacional contribui para o desrespeito das demais formas de se expressar, seja oral ou escrita.

Ademais, a perda da identidade cultural de grupos que são vítimas do preconceito linguístico é uma sequela que agrava a problemática. Diante disso, convém ressaltar o Período Colonial, em que durante essa época houve a “reforma pombalina“, na qual os colonizadores impuseram aos nativos a obrigatoriedade da língua portuguesa e a proibição do uso do tupi-guarani, por consequência, ocorreu um significativo desaparecimento da língua materna dos indígenas, o que auxiliou na perda da identidade cultural deles. De maneira análoga, quando um grupo mais escolarizados ou grupo de regiões diferentes ridicularizam quem fala ou escreve do jeito “errado“, essa coletividade está impondo, tal como o período colonial, uma padronização da linguagem, dessa forma, agridem os variantes dialetos culturais.

Logo, é necessário uma mudança no cenário atual. Para isso, o governo federal deve criar, por meio do Ministério da Educação, um projeto em que haja alteração da grade curricular das escolas, para que ensinamentos como a pluralidade linguística e o respeito das diversas formas de expressões estejam presentes, com a finalidade de esclarecer que não existe jeito certo ou errado de se falar. Desse modo, a Constituição federal poderá se manifestar de forma eficaz.