Preconceito Linguístico
Enviada em 21/09/2021
No filme “A Hora da Estrela”, uma adaptação do livro de Clarice Lispector, é retratada a vida árdua de Macabéa, uma jovem nordestina que foi residir na cidade de São Paulo e rotineiramente sofre preconceito contra seu sotaque. Nessa perspectiva, a liberdade de expressão e modo de falar é um direito de todos, contudo a ascensão do preconceito linguístico reduz essa virtude, desencadeada pela intolerância, juízo de valor negativo e rompimento da relevância da diversidade linguística como um operador estrutural, ponderando a padronização da língua.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que é inumerável a diversidade linguística e cultural existente, que varia de região. Dessa maneira, ocorreu a tentativa de padronizar e descrever uma parcela da língua, denominada norma culta, mas essa aplicação desencadeou a ideologia de julgar as variantes linguísticas como erradas, assim imperando a intolerância e a repressão. Outrossim, o filósofo e linguista Marcos Bagno, afirma sobre o preconceito linguístico e o juízo de valor negativo sobre as camadas de menor prestígio social, dessa forma, é responsável por fortalecer o preconceito sobre grupos e sotaques específicos, que busca constranger pessoas de uma determinada classe e região.
Em segundo lugar, vale salientar que o preconceito linguístico é reforçado pela reiteração da padronização da língua, do rompimento e omissão da relevância da diversidade linguística como um importante operador estrutural. Destarte, como afirma o sociólogo Stuart Hall, sobre o conceito de multiculturalismo, que possui a língua como diversificador e agente de conexão entre os divergentes, então o uso da linguagem é operador de uma estrutura de poder política e econômica, e o preconceito linguístico obstaculiza esse prestígio da língua.
Portanto, é imprescindível que o Ministério da Justiça e Segurança Pública em conjunto com o Ministério das Comunicações, promova políticas de tolerância e autuação aos que cometerem preconceito linguístico, por meio da criação de uma lei pelo Poder Legislativo que garanta a autuação do criminoso, proteja a vítima, assegure o direito à liberdade da língua e todas as suas diversidades, disseminar nas mídias sobre equidade, respeito e a importância da pluralidade da língua. Assim, romper com o juízo de valor negativo, reduzir os índices de preconceito linguístico e reforçar a importância da linguagem como um relevante operador.