Preconceito Linguístico

Enviada em 22/09/2021

A partir do século XVI, a colônia portuguesa, apesar das graves barbáries originadas naquela época, ganhou uma enorme diversidade cultural, com a presença de povos de diferentes origens. No entanto, a discriminação e a elitização das culturas foi algo que veio à tona e que ainda hoje marca a sua presença na sociedade contemporânea. Nesse sentido, em razão de uma educação deficitária, a qual viabiliza a falta de ética social, emerge um grave problema: o preconceito linguístico.

Diante desse cenário, vale destacar que a baixa qualidade da educação nacional é um grave fator à perpetuação dos estigmas. Nesse viés, consoante Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à discriminação dos diferentes modos de falar, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que não aborda essa temática nas salas de aula, o que permite a forte presença do preconceito linguístico. Logo, um possível caminho para mudar essa situação calamitosa é usar o raciocínio de Kant: fazer o homem crescer intelectualmente a partir de um ensino de rigor.

Nesse contexto, é importante salientar que a falta de empatia e os esteriótipos são graves consequências desse panorama e trazem prejuízos ao bem estar de várias pessoas. À vista disso, conforme o princípio da responsabilidade social, do filósofo Hans Jonas, ser ético é basear as próprias ações com foco no coletivo e nas outras gerações. Sob esse ângulo, ao se observar o ambiente nacional — que é rico em preconceitos e discriminações —, percebe-se que uma substancial parcela da população não promove a ética, pois reproduzem piadas ofensivas ao modo de falar, por exemplo, dos nordestinos, o que evidencia o quão irresponsável são uma grande parte das condutas sociais. Assim, enquanto a indiferença coletiva for a regra, o exercício da liberdade cultural será a exceção.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — desenvolva um projeto pedagógico, por meio de uma reformulação da grade escolar, na qual será adicionada uma nova matéria, que abordará especialmente sobre os vários estigmas nacionais, como o do modo de falar. Diante disso, tal proposta terá a finalidade de tornar as novas gerações mais engajadas na luta por diversidade e igualdade cultural. Por sua vez, a mídia precisa criar uma oficina virtual, por intermédio das redes sociais, por exemplo, o Youtube, a qual mostrará à população a importância das diferenças, assim como o quão rico é a variedade de sotaques e de marcações orais do país, a fim de fazer com que o povo promova a ética em suas condutas. Dessa forma, espera-se frear o preconceito linguístico no Brasil.