Preconceito Linguístico

Enviada em 27/09/2021

No quadro “A negra”, da pintora Tarsila do Amaral, a intensão da autora em valorizar os traços nacionalistas brasileiro é evidenciado por meio da ilustração de uma figura cujo fenótipo busca representar a verdadeira identidade cultural brasileira. Entretanto, ao contrário do que fez Tarsila em sua obra, a cultura nacional está desvalorizada, principalmente no âmbito linguístico. Nesse sentido, é premente analisar o histórico preconceito com a língua e sua manutenção na sociedade pós moderna.

Assim, é importante ressaltar que o preconceito com a língua nacional tem raízes coloniais. Nesse sentido, desde 1500, com a chegada dos portugueses em território nacional, a cultura europeia foi imposta, uma vez que prevalecia o pensamento de que essa seria a mais evoluída. Desse modo, com a justificativa de que estavam a civilizar os indígenas, o colonizador impeliu sua religião, língua e costumes, enquanto oprimia um dos pilares formadores da cultura brasileira. Como evidência do supracitado, no trecho: “quem me dera ao menos uma vez fazer com que o mundo saiba que seu nome está em tudo, mas ninguém te diz ao menos obrigado” da música “Índio”, do Legião Urbana, expressa essa influência da cultura indígena na formação do português usado hodiernamente e, concomitantemente, o desprestigio sofrido.

Não obstante do lapso temporal, o preconceito linguístico persiste na sociedade contemporânea brasileira. Nessa lógica, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua metáfora “Capital cultural”, as heranças culturais deixadas por um grupo ou classe não são valorizadas de forma equânime, isto é, a valorização de um costume está influenciada pela classe social e detenção capital. Como consequência disso, a cultura das áreas periféricas sofre do preconceito e é considerada inferior aos costumes propagados pela elite nacional. Desse modo, ainda que a Constituição Federal assegure a proteção e promoção cultural de todos, o Poder Público ineficaz não garante o direito e, conjuntamente, acentua o preconceito.

Portanto, é fundamental a intervenção a fim de mitigar com a intolerância. Logo, urge que o Ministério da Educação, por intermédio da maior parcela dos tributos, implante a disciplina de Ética e cidadania nas escolas de ensino básico, fundamental e médio, com o objetivo de promover debates sobre a importância de reconhecer e respeitar a heterogeneidade linguística do Brasil. Ainda, faz-se urgente que o Governo- o qual detém o poder de regrar a sociedade política- garanta o respeito ao direito constitucional da proteção cultural. Dessa maneira, a cultura nacional será exaltada e valorizada assim como no quadro “A negra”.