Preconceito Linguístico
Enviada em 22/09/2021
Na obra “Morte e vida Severina” de João Cabral Melo, o autor possuía como objetivo promover a valorização dos falares regionais e a pluralidade da língua nacional. Entretanto, mesmo depois de décadas, uma parcela substancial dos brasileiros se mostra incapaz de aceitar a diversidade linguística retratada pelo escritor modernista. Essa falta de capacidade se caracteriza como preconceito linguístico e persiste, em razão das falhas na educação e má influência midiática.
Em primeiro plano, é importante destacar que o problema é sustentado pela base educacional lacunar. Segundo Rubens Alves, importante teólogo nacional, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, isto é, podem proporcionar voos ou condição de alienação. A par desse raciocínio, os colégios funcionam semelhantes à gaiolas, pois ao abordarem matérias como a língua portuguesa, essas instituições dão preferência a assuntos mais conteudistas, por exemplo área da gramática, porém negligenciam conhecimentos como os dialetos existentes no Brasil. Assim, o ambiente educacional contribui para o desrespeito das demais formas de expressões, seja oral ou escrita.
Ademais, convém ressaltar que os meios de comunicação exercem forte influência na descriminação das variantes negligenciadas socialmente. Sob essa ótica, o ministro da propaganda nazista, Joseph Gobbels, utilizou a mídia como forte propagadora das suas ideologias políticas, por intermédio da arte, de veículos comunicativos e outras áreas. Desse modo, percebe-se o poder de persuasão que esses meios exercem sobre os indivíduos. Portanto, quando novelas retratam sotaques e erros de pronúncia de forma lúdica, elas contribuem para a perpetuação do preconceito linguístico, isso pode ser exemplificado com a novela da rede Globo “Êta mundo bom” que satiriza os dialetos nordestinos.
Logo, é necessário uma mudança no cenário atual. Para isso, o governo federal deve criar, por meio do Ministério da Educação, um projeto em que haja alteração da grade curricular das escolas, para que ensinamentos como a pluralidade linguística e o respeito das diversas formas de expressões estejam presentes, com a finalidade de esclarecer que não existe jeito certo ou errado de se falar. Desse modo, a Constituição federal poderá se manifestar de forma eficaz.